
247 – A cooperação entre China e Estados Unidos é fundamental não apenas para os dois países, mas para a estabilidade econômica e política mundial. Essa é a avaliação defendida pelo Global Times em artigo sobre o atual momento das relações entre Pequim e Washington, marcado pelas visitas recíprocas dos presidentes Xi Jinping e Donald Trump e pela tentativa de estabelecer uma relação de “estabilidade estratégica construtiva”.
Segundo o jornal chinês, a visita de Trump à China, em maio deste ano, abriu uma nova etapa no relacionamento bilateral. Na ocasião, os dois presidentes chegaram a um consenso sobre a necessidade de administrar as divergências e construir uma relação baseada em estabilidade estratégica. Xi deve realizar uma visita de Estado aos Estados Unidos neste outono do Hemisfério Norte, dando continuidade ao diálogo de alto nível.
Para o Global Times, a diplomacia direta entre os chefes de Estado funciona como uma “âncora” para uma relação que combina profunda interdependência econômica com disputas comerciais, tecnológicas e geopolíticas.
Cooperação avança em diferentes áreas
Desde o encontro de maio, segundo o jornal, China e Estados Unidos registraram avanços em áreas políticas e econômicas, intercâmbios entre sociedades e cooperação no combate às drogas. Também houve ampliação dos contatos entre legisladores, governos locais e representantes empresariais.
Pequim e Washington procuram ainda coordenar posições diante de grandes eventos multilaterais. Os dois países manifestaram apoio às respectivas agendas internacionais, incluindo as cúpulas do G20 e da Cooperação Econômica Ásia–Pacífico (APEC).
A dimensão da relação explica sua importância global. China e Estados Unidos são membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas e as duas maiores economias do planeta. Juntos, representam mais de um terço da economia mundial e aproximadamente um quarto da população global.
Por essa razão, argumenta o Global Times, mudanças na temperatura das relações sino-americanas têm efeitos que ultrapassam imediatamente suas fronteiras. Comércio, finanças, cadeias produtivas, inteligência artificial, segurança e governança internacional são áreas diretamente afetadas pelas decisões tomadas em Pequim e Washington.
Competição não precisa significar confronto
O jornal reconhece que a competição entre China e Estados Unidos continuará existindo, assim como divergências significativas. A questão central, segundo a análise, é estabelecer limites e mecanismos capazes de impedir que a competição se transforme em confronto.
Na formulação defendida pelo periódico, uma relação de estabilidade estratégica não exige que os dois países eliminem suas diferenças. Exige, porém, regras para administrá-las, canais permanentes de comunicação e linhas vermelhas capazes de reduzir o risco de erros de cálculo.
O argumento é que uma competição equilibrada pode estimular aprendizado, inovação e busca por excelência, enquanto políticas de desacoplamento econômico, pressão estratégica e confronto de soma zero produziriam efeitos negativos não apenas para chineses e norte-americanos, mas para a economia mundial.
O Global Times sustenta que ainda existe espaço considerável para cooperação em questões que nenhuma das duas potências pode enfrentar isoladamente. Entre elas estão mudanças climáticas, governança financeira internacional, inteligência artificial e outras tecnologias emergentes, além de crises de segurança internacional.
O tema também esteve presente no recente Fórum Xiangshan de Pequim, que incluiu entre seus debates a construção de uma relação China-EUA baseada em estabilidade estratégica e a governança internacional da inteligência artificial.
Taiwan permanece como questão sensível
O principal ponto de tensão continua sendo Taiwan. Na perspectiva apresentada pelo jornal, a questão envolve diretamente a soberania e a integridade territorial chinesas e constitui uma linha vermelha nas relações entre Pequim e Washington.
O Global Times defende que os Estados Unidos transformem os consensos diplomáticos em ações concretas, respeitem o princípio de uma só China e os três comunicados conjuntos sino-americanos e evitem iniciativas que Pequim interprete como incentivo às forças favoráveis à independência de Taiwan.
A posição norte-americana, historicamente, reconhece a República Popular da China como o único governo legal da China, mantém relações não oficiais com Taiwan e, sob a Lei de Relações com Taiwan, preserva compromissos próprios em relação à ilha. Essa combinação continua sendo um dos pontos mais complexos da relação bilateral.
Relação afeta o futuro da governança global
Para o jornal chinês, o tamanho econômico, tecnológico, militar e diplomático das duas potências transforma a administração de suas diferenças em uma questão internacional.
A avaliação é que uma relação sino-americana previsível ampliaria as possibilidades de cooperação em problemas globais, enquanto uma escalada de tensões teria consequências para mercados, cadeias produtivas, segurança regional e instituições multilaterais.
O Global Times resume sua posição defendendo que diálogo é preferível ao confronto, cooperação ao desacoplamento e estabilidade à turbulência. Ao mesmo tempo, sustenta que essa estabilidade dependerá de ações concretas dos dois governos, especialmente diante das questões consideradas mais sensíveis por cada lado.
Na visão apresentada pelo periódico, as visitas recíprocas de Trump e Xi oferecem uma oportunidade para consolidar essa nova fase. O desafio será transformar a disposição para o diálogo em mecanismos duradouros que permitam a China e aos Estados Unidos competir, negociar e cooperar sem transformar suas diferenças em uma fonte permanente de instabilidade mundial.
Medio: brasil247.com
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