
247 – O avanço de grupos de extrema direita e sua aproximação com determinadas manifestações religiosas não representam uma expressão autêntica do cristianismo, afirmou o papa Leão XIV ao defender um retorno aos valores do Evangelho baseados na compreensão, na compaixão e no acompanhamento.
As declarações foram dadas durante uma coletiva de imprensa no voo de retorno de Metz, na França, para Roma, segundo a agência ANSA. O pontífice voltava à Itália após concluir sua visita à França.
Ao abordar o cenário político internacional, Robert Francis Prevost chamou atenção para “o crescimento de grupos de extrema direita” em diferentes partes do mundo e mencionou a Alemanha ao falar sobre a aproximação entre determinadas posições políticas e manifestações religiosas.
Segundo Leão XIV, o fenômeno representa “o surgimento de expressões que combinam essas posições políticas com uma certa forma de religiosidade”.
“Não representa uma expressão autêntica do cristianismo”
O Papa rejeitou a ideia de que essa forma de religiosidade possa ser apresentada como manifestação legítima da fé cristã e afirmou que essa avaliação também é compartilhada por lideranças religiosas alemãs.
“Uma religiosidade que, não só na minha opinião, mas também na opinião dos líderes das Igrejas Católica e Protestante na Alemanha, não representa uma expressão autêntica do cristianismo. Devemos retornar aos valores do Evangelho, que não se baseiam no ódio e na divisão, mas na compreensão, na compaixão e no acompanhamento”, declarou.
A manifestação ocorreu no mesmo dia em que Leão XIV, durante sua passagem por Metz, condenou o uso do nome de Deus para justificar violência e opressão e defendeu o diálogo entre religiões como instrumento para a construção da paz.
Em pronunciamento durante um encontro inter-religioso, o pontífice afirmou que recorrer à religião para legitimar a violência constitui uma profanação e sustentou que nada que desfigure a dignidade humana pode reivindicar inspiração divina.
Papa critica gastos com a indústria militar
Além da relação entre política e religião, Leão XIV fez uma crítica contundente à escalada dos gastos militares e aos interesses econômicos relacionados à produção de armamentos.
O pontífice alertou que o mundo “continua se armando e gastando somas enormes na gigantesca indústria militar”, definida por ele como “uma indústria da qual alguns poucos privilegiados obtêm lucros exorbitantes promovendo a guerra”.
O Papa argumentou que os recursos destinados à expansão dos arsenais poderiam ser utilizados para enfrentar problemas sociais, como a fome, a falta de moradia e o desemprego.
“No entanto, esses bilhões de euros ou dólares poderiam ser usados para resolver problemas como a fome mundial, a crise habitacional e o desemprego. Precisamos de uma voz que proponha um caminho diferente, que rejeite a ideia de gastar cada vez mais em armamentos, alimentando apenas tensões que podem levar ao início de outra guerra ou a um novo conflito”, afirmou.
A posição reforça o discurso adotado por Leão XIV durante sua passagem pela França. Em Metz, o Papa já havia advertido a Europa contra a “ilusão do rearmamento” ao abordar o crescimento dos gastos militares e defender esforços diplomáticos voltados à paz.
Saúde e educação em vez de armas
Ao tratar do papel da Igreja Católica diante dos conflitos e das tensões internacionais, Leão XIV defendeu a promoção da dignidade humana e a priorização de políticas voltadas à população.
Segundo o pontífice, a Igreja “tem a responsabilidade de promover valores como a dignidade humana, a santidade da vida e a possibilidade de investir mais em saúde e educação, em vez de em armas”.
A defesa da dignidade humana também esteve presente em outros pronunciamentos feitos durante a visita à França. Em Metz, o Papa afirmou que a grandeza de uma civilização deve ser medida pela maneira como acolhe, protege e valoriza as pessoas, especialmente as mais vulneráveis.
Apelo para que líderes voltem à mesa de negociação
Leão XIV encerrou suas declarações defendendo o diálogo entre governantes como caminho para superar guerras e crises internacionais.
“Devemos continuar a instar os líderes a se encontrarem, a sentarem-se à mesma mesa, a dialogarem e a buscarem soluções para esses problemas, em vez de persistirem em guerras que já não fazem sentido. Não podemos forçar ninguém, mas continuaremos a apoiar essas demandas, a lançar apelos e a proclamar o Evangelho”, concluiu.
O pronunciamento ocorreu no encerramento da viagem de quatro dias de Leão XIV à França, que incluiu compromissos em Paris, Lourdes e Metz e foi marcada por apelos pela paz, pela reconciliação e pelo diálogo inter-religioso. Antes de retornar a Roma, o pontífice celebrou uma missa em Metz e defendeu que povos envolvidos em conflitos rompam a lógica do ressentimento e busquem a reconciliação.
https://www.brasil247.com/geral/extrema-direita-nao-e-expressao-autentica-do-cristianismo-diz-papa-leao/
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