
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) elevou o tom contra seus adversários e voltou a defender a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF) durante entrevista ao Flow Podcast nesta quinta-feira (1º). A conversa ocorreu no mesmo horário em que estava previsto o último debate presidencial antes do primeiro turno, que acabou cancelado pela TV Globo após a desistência de Flávio Bolsonaro (PL) e a ausência previamente anunciada de Lula.
Durante a entrevista, Lula criticou o formato dos debates com muitos candidatos, defendeu a atuação do ministro Alexandre de Moraes nos processos relacionados à tentativa de golpe de Estado e afirmou que o magistrado deve prestar esclarecimentos sobre questões relacionadas ao Banco Master e ao ex-controlador da instituição, Daniel Vorcaro.
O presidente também voltou a atacar Flávio Bolsonaro, citando o caso das chamadas “rachadinhas”, a relação do senador com Vorcaro e a atuação política da família Bolsonaro. Em outro momento, classificou Flávio e seu irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, com termos como “vira-lata” e “traidor da pátria”.
Lula defende Moraes, mas cobra explicações
Ao falar sobre as investigações envolvendo o Banco Master, Lula afirmou que todas as pessoas relacionadas às suspeitas devem ser investigadas, inclusive integrantes do STF.
Segundo o presidente, ele próprio teria cobrado explicações de Alexandre de Moraes sobre os contratos do escritório de sua esposa, Viviane Barci de Moraes, com o Banco Master.
“Eu acho que nós temos que apurar todo mundo. Eu disse para o Alexandre de Moraes: ‘Você deve uma explicação à sociedade brasileira. Você poderia ter dito: a minha mulher é dona do meu escritório, é ela que fez o contrato […] mas você não diz nada, cara’”, afirmou.
Lula também mencionou questionamentos envolvendo os ministros Dias Toffoli e Kassio Nunes Marques e disse que a sociedade tem interesse em saber se as informações que circulam sobre os magistrados são verdadeiras.
Apesar das cobranças, Lula defendeu a atuação de Moraes nos processos relacionados à tentativa de golpe de Estado. Ao comentar as críticas feitas ao ministro, afirmou que a reação contra Moraes estaria relacionada principalmente à prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro.
“Eles perseguem o Moraes não é por causa do Master, mas por conta da prisão do pai dele [Jair Bolsonaro]. Esse foi um grande gesto da Suprema Corte”, declarou.
Lula também fez acusações contra Jair Bolsonaro ao comentar as investigações sobre a tentativa de ruptura institucional. Segundo o presidente, o ex-presidente teria discutido planos que incluíam sua própria morte, a do vice-presidente Geraldo Alckmin e a de Alexandre de Moraes, além de uma ação envolvendo um caminhão de combustível no aeroporto de Brasília.
Críticas a Flávio Bolsonaro e ao caso Master
Durante a entrevista, Lula direcionou parte das críticas a Flávio Bolsonaro. O presidente ironizou a relação do senador com Daniel Vorcaro e mencionou mensagens nas quais Flávio tratava o ex-controlador do Banco Master como “irmão”.
“O cara vem perguntando, um cidadão que é ligado aos milicianos, um cidadão que tem essa relação amorosa com o Vorcaro, porque é coisa assim amorosa, o irmão, eu te amo, o irmão, empresta o avião”, afirmou Lula.
A expressão foi usada de maneira irônica pelo presidente ao comentar informações sobre a relação entre Flávio e Vorcaro. Também foram mencionadas reportagens sobre uma viagem feita por Flávio Bolsonaro em janeiro de 2025, quando retornou dos Estados Unidos ao Brasil em um jato executivo que tinha entre seus cotistas uma empresa da qual Vorcaro era sócio. Flávio afirmou posteriormente que a aeronave também pertencia ao empresário Willer Tomaz.
“Vira-lata” e “traidor da pátria”
Lula também atacou a atuação de Flávio e Eduardo Bolsonaro em relação aos Estados Unidos.
“Meu adversário é um vira-lata, mandou o irmão pra lá [para os Estados Unidos] pra falar mal do Brasil. É um vira-lata, um traidor da pátria”, afirmou.
Ao longo da entrevista, Lula também criticou a atuação política de Flávio Bolsonaro e retomou episódios relacionados à família do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Lula diz que adversários venceriam sem sua candidatura
Ao comentar a disputa eleitoral, Lula afirmou que sua presença na eleição seria determinante para enfrentar os adversários. O presidente classificou seus opositores como “fascistas” e declarou:
“Se não fosse eu para enfrentar esses fascistas, eles ganhavam as eleições com facilidade.”
A declaração ocorreu três dias antes do primeiro turno, marcado para domingo (4), durante uma entrevista escolhida por Lula como um dos últimos espaços de exposição antes da votação.
Presidente critica formato dos debates
Lula também explicou por que decidiu não participar do debate da TV Globo. Segundo ele, debates com muitos candidatos não seriam adequados para uma discussão aprofundada de propostas.
“Assumir o comando de um país não é brincadeira. Participar de um debate é para mostrar propostas, não pra tentar tirar bons cortes para tentar fazer média com seu eleitorado. É pra melhorar a vida do povo!”, afirmou.
O presidente defendeu um modelo no qual os candidatos apresentassem diretamente suas propostas.
“Um debate para a Presidência da República é coisa séria, é para discutir proposta, mostrar o que vai melhorar na vida do povo brasileiro. Ir para a televisão para tentar desqualificar uma pessoa sem apresentar o que vai fazer num cargo não serve para nada.”
ACERCA DEL CORRESPONSAL
REDACCIóN CENTRAL
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