
247 – O jornalista Breno Altman afirmou que a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva precisa concentrar o segundo turno na apresentação das consequências concretas de uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro. Para ele, a disputa não deve ser conduzida prioritariamente em torno de conceitos como democracia e fascismo, mas dos efeitos que uma mudança de governo teria sobre direitos sociais, economia, soberania nacional e liberdades.
Em entrevista ao Bom Dia 247, da TV 247, Altman avaliou o resultado do primeiro turno e defendeu que a campanha de Lula explique aos eleitores, de maneira direta, o que estaria em jogo na escolha entre os dois candidatos. Na avaliação do jornalista, esse trabalho deve buscar principalmente quem votou em outros nomes ou se absteve, evitando transformar esses eleitores em adversários.
“Nós vamos ter que explicar para as pessoas exatamente o que representa Flávio Bolsonaro”, afirmou.
Altman enumerou quatro riscos que, em sua avaliação, deveriam estar no centro da campanha. O primeiro seria uma redução dos direitos sociais e trabalhistas. Segundo ele, um governo de Flávio Bolsonaro poderia significar condições piores de aposentadoria, salários, proteção trabalhista e políticas públicas voltadas à população de menor renda.
“As pessoas vão ter uma aposentadoria pior. As pessoas vão ter salários piores, as pessoas vão ter direitos trabalhistas menores, as pessoas vão ter menos políticas sociais que ajudem a enfrentar a dureza da vida”, disse.
Para Altman, a campanha de Lula deveria recorrer à comparação com o governo de Jair Bolsonaro para demonstrar quais seriam as consequências econômicas e sociais de um novo governo comandado pelo bolsonarismo. Na sua avaliação, a discussão sobre direitos pode ter maior capacidade de diálogo com parcelas do eleitorado do que uma campanha centrada exclusivamente na defesa abstrata da democracia.
O segundo ponto levantado pelo jornalista é a soberania nacional. Altman sustentou que uma eventual administração de Flávio Bolsonaro aprofundaria o alinhamento do Brasil aos Estados Unidos e ao governo de Donald Trump.
“Se Flávio Bolsonaro ganha, quem preside o país é Donald Trump. O Brasil vai virar um puxadinho dos Estados Unidos. As nossas riquezas serão entregues aos Estados Unidos”, declarou.
Na avaliação do jornalista, a eleição brasileira possui, por isso, uma dimensão internacional. O Brasil, além de ser uma das maiores economias do mundo, exerce papel central na América Latina. Uma mudança de orientação do governo brasileiro, afirmou, produziria consequências sobre a correlação de forças no continente.
“A queda do Brasil nas mãos dos Estados Unidos altera a geopolítica do continente”, afirmou Altman. Segundo ele, a passagem do principal país latino-americano para uma política externa subordinada a Washington constituiria “um fator de desequilíbrio muito forte”.
O terceiro risco mencionado pelo jornalista diz respeito aos grupos políticos e econômicos que, segundo ele, estariam representados por Flávio Bolsonaro.
“Será um governo miliciano, um governo de ladrões, um governo do Daniel Vorcaro”, afirmou.
Altman incluiu ainda um quarto elemento: as liberdades democráticas. Para ele, um novo governo bolsonarista poderia ampliar mecanismos de repressão e reduzir garantias políticas.
“É um governo que colocará em risco as liberdades democráticas. É um governo que irá reprimir o povo. É um governo que não dará mais liberdade, mas menos liberdade ao povo brasileiro”, declarou.
Apesar da dureza das críticas à liderança bolsonarista, Altman fez uma distinção entre o enfrentamento político a Flávio Bolsonaro e a relação com seus eleitores. Para ele, tratar como fascistas todos os que votaram no candidato seria contraproducente para uma campanha que precisa ampliar sua votação.
“Uma coisa é a agressividade em relação aos líderes, ao Flávio Bolsonaro, ao Jair Bolsonaro, à cúpula do bolsonarismo. Outra coisa é em relação ao eleitor”, explicou.
O jornalista defendeu que a campanha e os apoiadores de Lula procurem esses eleitores “na paciência, na tranquilidade, na razão, na sobriedade”. Segundo ele, conquistar votos exige ouvir as críticas dirigidas ao atual governo antes de apresentar argumentos contra a candidatura adversária.
Altman calcula que Lula precisará não apenas recuperar a diferença registrada no primeiro turno, mas construir uma margem capaz de compensar os votos que Flávio Bolsonaro também poderá conquistar entre eleitores de candidatos eliminados.
Por isso, sustenta que a campanha deve transformar os próximos dias em uma disputa direta sobre as consequências de cada projeto político.
“Não é no grito que ninguém vai ser convencido a votar no presidente Lula nesse momento”, concluiu.
https://www.brasil247.com/entrevistas/breno-altman-se-flavio-bolsonaro-ganhar-sera-um-governo-de-ladroes/
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