
Em 2022, o então presidente Jair Bolsonaro chefiava a máquina pública federal; às vésperas da eleição, distribuiu bilhões de reais para caminhoneiros/taxistas/militares, colocou a PRF para barrar eleitores de Lula no Nordeste, amordaçou a PF, o gabinete do ódio derramava cachoeiras de fake news na internet, a pastorada terrivelmente neopentecostal achacava o séquito de fanáticos; a mídia corporativa apoiava desavergonhadamente – Globo, SBT, Record, Estadão, Folha/UOL, Jovem Pan etc. etc.
Mesmo assim, Lula/Alckmin venceram – e parecia que o Brasil seria desbolsonarizado: PF, PGR e STF investigaram, julgaram e prenderam o ex-presidente e sua trupe de golpistas. O governo dialogou com o agronegócio (e abriu créditos de bilhões de reais para os planos-safra); manteve respeitosa relação com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), sobretudo através do vice-presidente Alckmin; atendeu aos interesses dos pobres (Minha Casa, Minha Vida, Gás do Povo, aumento do salário mínimo) e da classe média (isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil por mês, Programa Desenrola Brasil para quitar dívidas e limpar o nome no Serasa), controlou a inflação e levou o desemprego à menor taxa histórica.
Por que, então, não se conseguiu alcançar o lema União e Reconstrução e “desbolsonarizar” o País?
A resposta demandaria uma tese de doutorado, mas é possível focar na opinião de Jéferson Dantas, doutor em Educação pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), que disse, lá em 2023, que: “Desbolsonarizar significa também combater a política do ódio, do medo, da violência do aparato estatal e de milicianos”.
E, convenhamos, o governo Lula/Alckmin falhou miseravelmente na comunicação com a sociedade. A Secretaria de Comunicação Social (Secom) foi praticamente inexistente nos dois primeiros anos, sob o (des)comando do ministro-chefe, o deputado gaúcho Paulo Pimenta (PT), considerado, por muitos especialistas, um “sujeito analógico perdido no mundo digital” – Pimenta tomou um “baile” da extrema-direita bolsonarista, que impôs sua narrativa, confundindo a população e fazendo críveis as mais absurdas fake news.
A Secom tinha que capitanear um “pacto republicano”, costurar uma ampla rede de comunicação, com mídias alternativas (Brasil 247, GGN, DCM, TVT, entre tantos), podcasts, newsletters, de todas as plataformas, abertas (YouTube, Facebook, Instagram, TikTok) e fechadas (WhatsApp, Telegram), de esquerda, centro e da direita democrática, para enfrentar os radicais da extrema-direita e, por conseguinte, pautar a imprensa corporativa. Nada disso foi feito – e sequer considerado pela equipe analógica da Secom de Paulo Pimenta.
Em 2025, a Secom passou ao comando do publicitário Sidônio Palmeira; aparentou um início promissor, mas logo perdeu o encanto, e a Secom seguiu perdendo a Batalha da Informação – o resultado estamos sentindo nessas eleições: Flávio Bolsonaro é um desqualificado, sem carisma, não tem projeto, foi flagrado em corrupção e não conta com a máquina pública com que seu pai (que está preso) contava; mesmo assim, passou ao segundo turno com 1,8% a mais de votos que Lula, o mais conceituado líder global da contemporaneidade.
A equipe da Comunicação Social do governo parece não ter entendido os conceitos básicos da modernidade líquida do filósofo Zygmunt Bauman e muito menos compreendido o poder da internet na atualidade.
Agora é correr para fazer em dias o que deixou de ser feito!
https://www.brasil247.com/blog/ousar-lutar-ousar-vencer/
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