
Um levantamento feito pela campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) indica que as mudanças nos locais de votação para o segundo turno devem ter impacto praticamente nulo no resultado da eleição presidencial. Concluído neste fim de semana, o estudo ajuda a acalmar os ânimos de integrantes da campanha e da militância petista, preocupados com possíveis prejuízos ao presidente na disputa contra Flávio Bolsonaro (PL).
A avaliação de integrantes da campanha é que não há motivo para desespero nem para gastar demasiada energia política com o assunto na reta final da eleição.
A prioridade, segundo esses interlocutores, deve continuar sendo explorar o chamado “tesouraço” de Flávio Bolsonaro e o temor de que uma eventual vitória do senador coloque em risco direitos e garantias da população, como a valorização do salário mínimo acima da inflação, o fim da escala de trabalho 6×1 e outros benefícios sociais e trabalhistas.
Alterações afetam redutos de Lula e Flávio

O levantamento (imagem acima) identificou 4.864 seções eleitorais que mudaram de endereço entre os dois turnos, abrangendo 1,47 milhão de eleitores em 664 municípios de 23 estados. Embora o número de eleitores afetados chame a atenção, as alterações representam menos de 1% das seções eleitorais do país.
No primeiro turno, Lula obteve 49,7% dos votos válidos nessas seções, contra 43,2% de Flávio Bolsonaro, uma vantagem de 73.681 votos para o petista. É um resultado bem diferente do placar nacional, em que Flávio saiu na frente com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. E pouco significativa diante dos mais de 2 milhões de votos de diferença entre os dois.
A distribuição geográfica, no entanto, mostra que as mudanças não atingem apenas redutos eleitorais do presidente.
No Nordeste e no Pará, onde Lula venceu nas seções afetadas, são 2.738 seções, com 826 mil eleitores e saldo positivo de 174 mil votos para o presidente. Nos demais 13 estados, distribuídos pelo Sul, Sudeste, Centro–Oeste e Norte, as alterações atingem 2.126 seções, com 647 mil eleitores e vantagem de 100,5 mil votos para Flávio. As mudanças se concentram principalmente no Pará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Ceará, Santa Catarina e São Paulo.
A principal razão para o relativo alívio na campanha está numa comparação com o segundo turno de 2022. Naquela eleição, 1.384 seções, com aproximadamente 440 mil eleitores, também mudaram de endereço. O comparecimento nessas seções caiu 0,7 ponto percentual entre os turnos há quatro anos. Mas há um detalhe importante: nas seções que permaneceram no mesmo local, dentro das mesmas zonas eleitorais, a queda também ocorreu, embora um pouco menor, de 0,4 ponto.
Feitas as contas, o estudo estima que a diferença atribuível às mudanças de endereço ficou entre uma redução de 0,3 ponto percentual e um aumento de 0,1 ponto. Projetado para o eleitorado afetado em 2026, o pior cenário representaria cerca de 4 mil votantes a menos e uma perda de apenas algumas centenas de votos no saldo entre os candidatos. Outro fator que ajuda a relativizar o problema é que os novos locais ficam, em geral, próximos dos anteriores, a uma distância mediana de 300 metros. Os eleitores também podem consultar os endereços pelo aplicativo e-Título.
Foco em locais onde petista venceu
Isso não significa que a campanha deva simplesmente ignorar o problema. O levantamento recomenda que, em vez de uma mobilização nacional, os esforços sejam concentrados em 95 mudanças de local que reúnem 615 seções, quase 196,5 mil eleitores e um saldo favorável a Lula de 65,3 mil votos no primeiro turno. Essas alterações estão concentradas principalmente no interior do Nordeste e no Pará.
Nesses pontos, a recomendação é acionar lideranças e redes locais para informar antecipadamente os novos endereços, orientar a consulta ao e-Título e divulgar a oferta de transporte público gratuito no dia da votação, onde estiver disponível.
Entre os municípios que merecem atenção especial estão Santana do Matos e Governador Dix–Sept Rosado, no Rio Grande do Norte, Salgueiro, em Pernambuco, e São Sebastião da Boa Vista, no Pará.
Campanha acionou o TSE
A preocupação com as mudanças levou a coligação Brasil Pronto pra Mais, de Lula, a acionar o TSE no sábado (17/10), pedindo providências urgentes para evitar que eleitores deixem de votar por desconhecerem os novos endereços. Entre as medidas solicitadas estão o envio de notificações individuais pelo e-Título, SMS, WhatsApp ou e-mail e a divulgação, em até 48 horas, de uma lista consolidada das seções transferidas.
A campanha também pediu a instalação de faixas e equipes de orientação nos antigos locais de votação no dia 25, além da participação das prefeituras na oferta de transporte público gratuito e de transporte especial para idosos e pessoas com deficiência. O argumento é que não basta disponibilizar as informações em aplicativos e sites, sobretudo para eleitores com dificuldades de acesso à internet ou pouca familiaridade com ferramentas digitais.
O TSE, por sua vez, afirma que as mudanças foram motivadas por necessidades operacionais, como obras, problemas de acessibilidade e danos provocados por chuvas.
No sábado (17/10), o presidente da corte, Kassio Nunes Marques, determinou que os tribunais regionais ampliassem a divulgação dos novos endereços. O corregedor-geral, Ricardo Villas Bôas Cueva, também recomendou uma avaliação criteriosa da necessidade das transferências, para evitar mudanças desnecessárias às vésperas da votação.
https://www.jota.info/eleicoes/eleicoes-2026/levantamento-da-equipe-de-lula-aponta-impacto-pequeno-sobre-mudancas-nos-locais-de-votacao
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