
247 – A vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL), neste domingo (25), foi acompanhada por uma redução expressiva da abstenção e dos votos brancos e nulos. O maior comparecimento às urnas foi um dos fatores que favoreceram o desempenho do petista no segundo turno, em uma disputa marcada pelo equilíbrio entre os candidatos.
Segundo reportagem do jornal O Globo, a abstenção caiu para 19,19%, enquanto os votos brancos representaram 1,12% e os nulos, 2,12% do total, com 96,77% das urnas apuradas. Naquele momento, o país contabilizava aproximadamente 123,9 milhões de votos válidos. Os números indicavam uma mobilização eleitoral superior à registrada no primeiro turno, quando mais de 33 milhões de brasileiros não compareceram às seções eleitorais.
A redução da chamada alienação eleitoral, indicador que considera a ausência de eleitores e os votos brancos e nulos, estava entre as prioridades da campanha de Lula. A estratégia do PT buscava ampliar o comparecimento às urnas, especialmente entre os eleitores que haviam deixado de votar na primeira etapa da eleição presidencial.
Mobilização eleitoral ganha importância na vitória de Lula
No primeiro turno, a abstenção havia alcançado 21,08% do eleitorado, o maior percentual registrado nessa etapa de uma eleição presidencial desde 1998. O resultado colocou a mobilização dos ausentes no centro das estratégias das duas candidaturas que avançaram à disputa decisiva.
A campanha petista avaliava que a recuperação de parte desse contingente poderia alterar a correlação de forças entre Lula e Flávio Bolsonaro. Em uma eleição com margens estreitas, o comparecimento de milhões de eleitores adicionais tinha potencial para influenciar diretamente o resultado.
Com a redução da abstenção para 19,19%, houve uma queda de 1,89 ponto percentual em relação ao primeiro turno. O movimento representou uma mudança importante no comportamento do eleitorado entre as duas etapas da votação.
A diminuição dos votos brancos e nulos também contribuiu para elevar a participação efetiva dos brasileiros na escolha presidencial. Na apuração parcial divulgada pelo jornal, essas duas modalidades somavam 3,24% dos votos depositados nas urnas.
Embora os dados agregados não permitam identificar em quem votaram os eleitores que haviam se ausentado anteriormente, a maior participação ocorreu em um cenário favorável à vitória de Lula, que conseguiu superar Flávio Bolsonaro no segundo turno.
São Paulo concentrou esforços das campanhas
O estado de São Paulo ocupou posição central na estratégia de mobilização eleitoral. No primeiro turno, aproximadamente 7,69 milhões de eleitores paulistas deixaram de votar, número equivalente a 22,54% do eleitorado estadual.
Na capital, a abstenção chegou a 23,4%, com mais de 2,1 milhões de ausentes. Na região metropolitana, o percentual foi de 22,8%, correspondendo a mais de 3,7 milhões de eleitores que não compareceram às urnas.
Esses números transformaram São Paulo em uma das principais frentes de atuação das campanhas durante o intervalo entre os dois turnos. A possibilidade de ampliar o comparecimento, especialmente nas regiões mais populosas, ganhou relevância diante da pequena diferença entre os candidatos.
A mobilização eleitoral na capital paulista também foi acompanhada por uma controvérsia sobre o funcionamento do transporte público neste domingo.
PT questionou redução da frota de ônibus na capital paulista
A campanha de Lula criticou a circulação de ônibus em São Paulo e afirmou que apenas 60% da frota prevista estava em operação, apesar de uma determinação judicial para que fossem disponibilizados todos os veículos programados para os dias úteis.
A SPTrans, responsável pela gestão do transporte municipal, alegou dificuldades operacionais para reorganizar o serviço após ter sido notificada da decisão judicial na véspera da eleição.
Um levantamento elaborado por Igor Novaes Lins, do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), e utilizado pela campanha petista, identificou reduções mais acentuadas na circulação de ônibus em regiões periféricas da cidade.
Na Zona Leste, os distritos de Vila Curuçá e São Miguel registraram quedas de 35,7% e 35,5%, respectivamente, na circulação de veículos nas proximidades dos locais de votação.
Na Zona Sul, Grajaú, Jardim Ângela e Parelheiros também apareceram entre as regiões afetadas pela diminuição da oferta de transporte.
O estudo, entretanto, analisou a circulação dos ônibus e não permite estabelecer, isoladamente, uma relação direta entre a redução da frota e o comparecimento dos eleitores. Ainda assim, os dados reforçaram os questionamentos da campanha de Lula sobre as condições de deslocamento da população no dia da votação.
Chuvas e dificuldades de deslocamento levaram a pedidos ao TSE
A campanha de Flávio Bolsonaro também apresentou reivindicações relacionadas ao acesso dos eleitores aos locais de votação.
O grupo solicitou a ampliação do horário de votação em municípios de São Paulo, Paraná e Santa Catarina, alegando que chuvas intensas, alagamentos, deslizamentos e bloqueios de vias dificultavam o deslocamento da população.
Diante das solicitações apresentadas pelas duas campanhas, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu estender o prazo de votação em âmbito nacional.
A medida ocorreu em uma eleição na qual o comparecimento ganhou importância estratégica para os dois candidatos, tanto pela proximidade da disputa quanto pelo elevado número de eleitores ausentes no primeiro turno.
Participação eleitoral marca resultado da disputa presidencial
A redução da abstenção e dos votos inválidos tornou-se uma das características mais relevantes do segundo turno de 2026. A eleição mobilizou uma parcela maior do eleitorado em comparação com a primeira etapa e ampliou o número de votos válidos na disputa pela Presidência.
Para Lula, o resultado representou a concretização de uma das principais apostas de sua campanha após o primeiro turno: incentivar a participação de eleitores que não haviam comparecido anteriormente.
O desempenho nas urnas mostrou a importância da mobilização eleitoral em uma disputa decidida por uma diferença relativamente pequena entre os candidatos. Embora não seja possível atribuir a vitória exclusivamente à redução da abstenção, o aumento do comparecimento foi um componente importante do cenário que assegurou a reeleição do presidente.
https://www.brasil247.com/brasil/queda-historica-da-abstencao-e-dos-votos-brancos-e-nulos-favorece-vitoria-de-lula/
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