

A história das disputas presidenciais na Paraíba também passa pela trajetória eleitoral de Luiz Inácio Lula da Silva. Desde a primeira eleição direta para presidente após a redemocratização, em 1989, as disputas presidenciais marcaram a relação entre o eleitorado paraibano e os principais projetos políticos do país.
Ao longo das décadas, a votação de Lula na Paraíba permite observar não apenas o desempenho do petista nas urnas, mas também as mudanças no comportamento eleitoral do estado em diferentes conjunturas.
Da disputa contra Fernando Collor, em 1989, passando pelas derrotas para FHC e às eleições de 2002 e 2006, quando conquistou a Presidência e foi reeleito, até o retorno contra Bolsonaro, sua trajetória eleitoral se confunde com momentos importantes da política brasileira.
Pensando em fazer um retrospecto dessas disputas, o Polêmica apresenta aos leitores, uma matéria especial relembrando o desempenho de Lula na Paraíba, em suas seis disputas presidenciais.

A primeira eleição livre para a Presidência, englobou o maior número de candidatos da história. Foram 22 candidatos, divididos em nomes famosos como Paulo Maluf, Ulysses Guimarães e Mário Covas, políticos emergentes como Fernando Collor, Lula e Ronaldo Caiado e os desconhecidos Lívia Maria Pio e Zamir José Teixeira.
Desde às primeiras pesquisas o nome de Collor aparecia na frente, com Lula e Brizola disputando a segunda colocação.
Após o começo da campanha, o apresentador Sílvio Santos manifestou o desejo de ser candidato, se tornando o favorito ao pleito até ter sua candidatura impugnada, em decorrência de irregularidades no seu partido.
O vencedor do primeiro turno foi Fernando Collor, que atingiu 30,48% dos votos. O seu adversário no segundo turno foi Luiz Inácio Lula da Silva, com 17,19%, pouco mais de 1% na frente de Leonel Brizola, que teve 16,51%.
Na Paraíba, Collor teve uma vantagem de pouco mais de 11% para Lula, que colocou quase 10% para Brizola.
Os resultados totais na Paraíba, no primeiro turno foram:
Collor = 457.129 votos (35,16%) / Lula = 313.895 votos (24,14%)
No segundo turno Lula teve o apoio formal de Brizola e Covas, o que configurava uma chance real de vitória do petista no segundo turno.
Mas a força midiática de Collor, atrelada ao seu carisma e a alcunha de “Caçador de Marajás”, deu a vitória ao ex-Governador de Alagoas, com 53,03% dos votos, contra 46,97% de Lula
Na Paraíba, a vantagem de Collor para Lula percentual se manteve praticamente igual ao primeiro turno.
Os resultados totais na Paraíba, no segundo turno foram:
Collor = 740.208 votos (54,97%) / Lula = 606 446 votos (45,03%)

Após o impeachment de Collor, amparado por grande participação popular, o Vice–Presidente, o mineiro Itamar Franco, assumiu o cargo no final de 1992, em um país marcado pela ebulição política e econômica.
As coisas começaram a mudar na economia, através da elaboração e implementação do Plano Real em fevereiro de 1994.
Inicialmente relutante em ser o candidato à Presidente de Itamar Franco, o Ministro da Fazenda, Fernando Henrique deixou o cargo em Março de 1994, se colocando como o nome da situação, tendo Lula como principal adversário.
A melhora da economia acabou sendo preponderante para a vitória de Fernando Henrique, que foi eleito em primeiro turno com 54,28% dos votos, contra 27,04% de Lula.
Na Paraíba, FHC teve uma vantagem de quase 40% dos votos para Lula, uma das 5 maiores diferenças na região Nordeste.
Os resultados totais na Paraíba, foram:
FHC = 761.876 votos (63,05%) / Lula = 311.142 votos (25,75%)

Após a vitória em 1994, FHC teve um mandato amparado pelo sucesso do Plano Real, mas que esbarrou em crises na saúde e economia, principalmente ligados à venda de estatais como a Vale do Rio Doce, o que causou grande resistência de setores populares.
Outra polêmica foi a emenda que garantiu o direito à reeleição aprovada em 1997, que beneficiava todos aqueles eleitos em 1994, incluindo o próprio Presidente. Considerada por muitos como inconstitucional, a emenda foi muito criticada pela oposição, que denunciou a suposta compra de votos no Congresso.
Para tentar derrotar FHC, os dois maiores nomes da esquerda se juntaram em uma única chapa. Lula e Brizola formalizaram uma união nunca imaginada em outros tempos, com o petista como candidato à Presidente e o ex-Governador de Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro, na cadeira de Vice.
Amparado pela força econômica e junto a um grande bloco dos principais partidos do Brasil na época (PFL, PTB, PPB e MDB), FHC mais uma vez derrotou Lula no primeiro turno, ao ter 53,06% dos votos, contra 31,71% do petista.
Na Paraíba, FHC teve uma vantagem bem mais apertada que os números de 94, sendo o estado nordestino onde o Presidente venceu e teve menor diferença.
Os resultados totais na Paraíba, foram:
FHC = 541.067 votos (45,25%) / Lula = 402.293 votos (33,65%)

Durante o segundo mandato de Fernando Henrique, uma grave crise econômica acometeu o Brasil. Iniciando-se logo após as eleições de 1998 como uma crise cambial, ela resultou em queda na taxa de crescimento, desemprego e aumento da dívida pública.
O Presidente também enfrentou crises internacionais e uma crise energética que gerou o chamado “apagão elétrico”, com racionamento de energia, o que abalou a popularidade e confiança da população na continuidade do grupo de FHC no poder.
O nome inicial para à sucessão de FHC era o do Governador Mário Covas, que acabou deixando à disputa após o retorno do câncer, que o vitimaria em 2001.
Os outros nomes da disputa eram o do Senador cearense Tasso Jereissati e o Ministro da Saúde José Serra. Após muitas deliberações e brigas internas, o escolhido foi Serra.
Os outros principais candidatos eram mais uma vez Lula que aparecia na frente das pesquisas, o Governador carioca Anthony Garotinho e o ex-Ministro Ciro Gomes.
A derrocada de popularidade de FHC e a rejeição ao nome de Serra deram à Lula, a cancha de favorito, o que se confirmou no primeiro turno.
O petista quase foi eleito ao atingir 46,44% dos votos, contra 23,19% de Serra. Garotinho foi o terceiro com 17,86% e Ciro atingiu 11,97%.
Na Paraíba, Lula colocou quase 20 pontos à frente de Serra no primeiro turno.
Os resultados totais na Paraíba, no primeiro turno foram:
Lula = 754.329 votos (47,76%) / Serra = 466.346 votos (29,53%)
Amparado pela grande votação no primeiro turno e os apoios de Ciro e Garotinho, Lula foi eleito com 61,27% dos votos, um total de pouco mais de 52 milhões de votos, na época a segunda maior votação da história global, só atrás da reeleição de Ronald Reagan nos Estados Unidos, em 1984.
Na Paraíba, Serra conseguiu diminuir um pouco a vantagem em comparação ao primeiro turno, mas Lula ainda manteve uma boa distância .
Os resultados totais na Paraíba, no segundo turno foram:
Lula = 984.944 votos (57,02%) / Serra = 742.486 votos (42,98%)

O primeiro mandato de Lula foi marcado pelo crescimento da economia, diminuição da desigualdade e aumento do poder de compra do brasileiro, o que dava ao Presidente altos índices de aprovação. Mas um escândalo abalou as estruturas do Planalto.
O Mensalão, deflagrado em junho de 2005, tinha como principal acusação, o suposto pagamento mensal para Deputados votarem pela aprovação de projetos de interesse do Governo na Câmara dos Deputados.
A crise causou a renúncia de nomes do primeiro escalão do Governo e uma derrocada na popularidade do Presidente, que se viu ameaçado na sua tentativa de reeleição, pelo Governador paulista, Geraldo Alckmin.
Mesmo com Lula na dianteira das pesquisas, a tendência de segundo turno se confirmou, com Alckmin superando às expectativas.
O Presidente teve 48,60% dos votos, contra 41,62% do candidato do PSDB.
Na Paraíba, Lula conseguiu ser o primeiro candidato a passar de 1 milhão de votos na história de uma disputa presidencial no estado.
Os resultados totais na Paraíba, no primeiro turno foram:
Lula = 1.258.341 votos (47,76%) / Alckmin = 537.042 votos (27,87%)
Para quem esperava uma eleição disputada no segundo turno, se surpreendeu com a larga vantagem de Lula, que melhorou a sua votação em todos os estados, sendo reeleito ao atingir 60,83% dos votos, enquanto Alckmin teve 39,17%.
A Paraíba acompanhou o crescimento do resto do Brasil e deu a Lula, pouco mais de 75% dos votos, sua maior votação proporcional na história, no estado .
Os resultados totais na Paraíba, no segundo turno foram:
Lula = 1.478.378 votos (75,01%) / Alckmin = 492.524 votos (24,99%)

Enquanto o pleito de 2018 foi pautado no combate à corrupção e nas eleições de candidatos “antipolíticos”, as eleições de 2022 tiveram coma economia e a gestão durante a pandemia como principais bandeiras.
O Governo Bolsonaro, que já não vinha bem na economia em 2019 e que se via envolto em escândalos como os das rachadinhas, teve a pandemia da Covid–19, o seu calcanhar de aquiles.
Com falas negacionistas, que diminuíam o impacto da doença, ironizava às mortes e criticava a eficácia da vacina, Bolsonaro se viu em um país atingido por mais de 400 mil mortes em um ano e meio de pandemia.
Esses dados alarmantes causaram uma brusca queda na popularidade do Presidente, que se viu com mais de 150 pedidos de impeachment e com uma CPI que questionava e investigava seus atos durante o curso da pandemia.
Além de todos esses problemas, Bolsonaro tinha o seu principal adversário de volta ao jogo político. Após não disputar o pleito de 2018, Lula tornou-se elegível após suas condenações serem anuladas em 2021 pelo ministro Edson Fachin, após o juiz de primeira instância responsável pelo caso, Sergio Moro, ter sua suspeição declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
E esse foi o norte de toda a eleição. Bolsonaro criticado pela economia ruim, a fome, suas falas e ações criminosas durante o mandato e Lula questionado por sua prisão e casos de corrupção no seu Governo.
As pesquisas indicavam Lula na frente, amparado pela queda de popularidade do Presidente e pelo sentimento do brasileiro de retorno aos tempos de mandato do petista, quando a economia era umas das melhores do mundo e onde a desigualdade social, diminuiu a níveis nunca antes visto no nosso país.
Alguns até acreditavam que o petista venceria no primeiro turno, mas isso não aconteceu, com Lula atingindo 48,43% dos votos, enquanto Bolsonaro teve 43,20%.
Após 16 anos sem disputar um pleito, Lula retornou com tudo na Paraíba, tendo uma vantagem de quase 35%, sobre o então Presidente.
Os resultados totais na Paraíba, no primeiro turno foram:
Lula = 1.554.868 votos (64,21%) / Bolsonaro = 717.416 votos (29,62%)
Bolsonaro conseguiu melhorar sua votação no segundo turno, deixando a votação em uma das corridas mais acirradas de todos os tempos, sendo decidida após uma virada de Lula, com pouco mais de 50% da apuração.
O petista voltou para o seu terceiro mandato ao atingir 50,90% dos votos, contra 49,10% do Presidente.
Bolsonaro cresceu na Paraíba no segundo turno, mas Lula também aumentou sua porcentagem, chegando perto dos 70%.
Os resultados totais na Paraíba, no segundo turno foram:
Lula = 1.601.953 votos (66,62%) / Bolsonaro = 802.502 votos (33,38%)
Fonte: Vitor Azevêdo
Créditos: Polêmica Paraíba
https://www.polemicaparaiba.com.br/politica/polemica-apresenta-especial-relembrando-o-desempenho-de-lula-nas-urnas-paraibanas/
ACERCA DEL CORRESPONSAL
REDACCIóN CENTRAL
Prensa Mercosur es un diario online de iniciativa privada que fue fundado en 2001, donde nuestro principal objetivos es trabajar y apoyar a órganos públicos y privados.
- ★Venezuela alcanzó segundo triunfo en Clasificatorio Suramericano al FIBA AmeriCup U16 2027
- ★Lula da Silva y Flávio Bolsonaro llegan con empate técnico al balotaje en Brasil
- ★Cuatro aprehendidos por el asesinato de dos hermanos agricultores en Muisne
- ★Un motociclista fue asesinado en El Recreo, en Durán
- ★Celina tem 59% dos votos válidos e Grass, 41% no DF, diz Datafolha



















