
Após vencer a eleição presidencial neste domingo, 25, contra Flávio Bolsonaro (PL), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que, em seu próximo governo, a União assumirá o combate ao crime organizado na segurança pública, hoje responsabilidade dos estados. “Agora está provado que os estados não dão conta. Vamos entrar para devolver para mulheres, homens e trabalhadores a tranquilidade que eles precisam. Para o trabalhador, vamos dar proteção, para o bandido, é prisão”, disse Lula durante seu discurso realizado em São Paulo, após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) declarar o petista matematicamente eleito.
Lula também criticou as plataformas digitais diante das acusações de sua campanha de interferência via redes sociais na disputa eleitoral deste ano no Brasil. Para o presidente reeleito, há necessidade de regular as plataformas. “Essa eleição foi a que tivemos que vencer a intromissão das plataformas digitais e nós vamos ter que regulá-las. Não é possível que a gente não tenha consciência que o crime digital tenha que ser tratado igual o crime na vida real”, afirmou Lula.
O presidente petista ainda afirmou que a vitória nas urnas neste segundo turno foi para impor uma derrota ao negacionismo e à mentira. Ele disse ainda que já participou de muitos debates e eleições, mas que o adversário desta disputa lhe causou constrangimento. Ele chamou o senador carioca de “representante do milicianismo”. Lula agradeceu aos eleitores que foram às urnas e fizeram diminuir a abstenção. No primeiro turno, 33,4 milhões não quiseram participar das eleições gerais. Neste domingo, a abstenção caiu para 30,5 milhões.
Lula ainda afirmou que a atual disputa eleitoral o fez pensar em mudar o jeito de governar o país. “Nós vamos fazer o povo participar mais das nossas decisões. A comunicação digital vai ganhar espaço muito grande no meu governo. Vou dizer o que penso, o que faço”, afirmou. Lula também disse que, após a vitória, não tem mais adversário. “Eu tenho que governar para todas as cidades. “
O clima nos bastidores do QG de Lula
Inicialmente, havia apreensão a respeito da decisão do STF que postergou em duas horas o horário de votação, um feito inédito da Corte. Aventou-se a ideia de pedir na Justiça uma nova eleição, um boato que o coordenador jurídico da campanha, Marco Aurélio Carvalho, desmentiu. “Isso nunca foi nem considerado. Só o que a campanha queria era garantir que todos os eleitores exercessem o direito ao voto”, falou. Acompanharam Lula na apuração os ministros do governo, os governadores e senadores eleitos, além da cúpula do PT.
Pouco antes de Lula inverter o placar e passar a liderar na apuração, o clima já era de otimismo. “Estamos muito animados, mais do que o esperado”, disse um interlocutor. Quando Lula enfim empatou, por volta das 19h40, houve gritos que puderam ser ouvidos do local onde a imprensa aguardava — separado de onde as autoridades acompanhavam a eleição. Antes de o TSE declarar o resultado, o vice-líder do governo na Câmara, Reginaldo Lopes (PT-MG), falou que o resultado das urnas era resultado da mobilização e prometeu para o próximo mandato uma reforma no Judiciário. “Kassio Nunes deveria ser criminalizado”, disse. Após a declaração da vitória, porém, os entraves jurídicos sumiram dos discursos.
https://veja.abril.com.br/brasil/o-discurso-de-lula-apos-vencer-flavio-bolsonaro-na-eleicao-presidencial/
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