
A Polícia Militar de Santa Catarina atingiu manifestantes com balas de borracha durante um ato por justiça para Pedro Henrique Ely, atropelado por uma viatura na noite anterior, em Florianópolis (SC). Na manifestação de segunda-feira, 26 de outubro, um ativista do Comitê de Apoio ao jornal A Nova Democracia (AND) na cidade, também integrante da Executiva Catarinense de Estudantes de Pedagogia, foi atingido no rosto. Outras pessoas presentes no protesto também ficaram feridas. O ato denunciava a ação dos policiais que lançaram a viatura contra a motocicleta de Pedro durante as comemorações pela reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Viatura atravessou canteiro central e atingiu Pedro
O atropelamento ocorreu na noite de domingo (25), na SC-403, no bairro Ingleses do Rio Vermelho, no norte da capital catarinense. Imagens registram o momento em que a viatura atravessa o canteiro central, acelera em direção a Pedro e atinge sua motocicleta, próximo a outras pessoas que participavam da comemoração.
Uma testemunha entrevistada durante a mobilização relatou à correspondência do AND que os policiais avistaram Pedro e assobiaram para que ele saísse do local. Em seguida, lançaram a viatura em sua direção. Após a queda, segundo a testemunha, os agentes agrediram o motociclista e usaram spray de pimenta contra seu rosto, mesmo depois de ele avisar que era alérgico à substância. O entrevistado contou ainda que um policial retirou munições de bala de borracha, mas guardou o material quando as pessoas presentes começaram a reagir.
Um morador da região das Gaivotas disse ter ouvido sirenes, veículos acelerando e disparos antes de saber o que havia acontecido. “Começou a dar bastante barulho de sirene e carro acelerando e disparo, aí já entendi que tinha alguma m…”, relatou. Segundo ele, o buzinaço da comemoração diminuiu à medida que a notícia do atropelamento se espalhou.
Pedro passou por cirurgia e ficou sob custódia no hospital
Pedro foi levado ao Hospital Governador Celso Ramos e passou por cirurgia na madrugada seguinte. Durante a segunda-feira, sua família enfrentou dificuldades para obter notícias e visitá-lo enquanto ele permanecia sob custódia policial. Os pais do motociclista estiveram no protesto e, naquele momento, ainda não haviam conseguido contato com o filho. Conforme os relatos recebidos pelo Comitê de Apoio ao AND, mesmo a advogada precisou recorrer à Justiça para visitá-lo, na presença de um policial.
Os manifestantes denunciaram a tentativa de responsabilizar Pedro pelo atropelamento. Também criticaram veículos locais que procuraram apresentá-lo como “foragido”. Na noite de segunda-feira (26), a Justiça concedeu liberdade provisória ao motociclista, autorizou as visitas da família e determinou a apuração da atuação dos policiais envolvidos.

Manifestantes denunciam perseguição aos motociclistas
Familiares, moradores e trabalhadores realizaram o ato na região onde Pedro havia sido atropelado. O correspondente do AND acompanhou a manifestação e ouviu participantes que denunciaram a perseguição aos motoqueiros e a violência policial contra trabalhadores.
Um dos entrevistados destacou que muitos motociclistas que circulavam pelo local estavam trabalhando. “Eles acham que todo motoqueiro é bandido, é marginal”, afirmou. Para ele, a viatura “acelerou de encontro ao Pedro”. O manifestante classificou a ação como uma “tentativa de homicídio” e cobrou punição aos policiais. Outro entrevistado defendeu que os motoboys possam trabalhar sem sofrer perseguição: “Porque o cara trabalha, trabalha, o cara sempre se fode”.

PM reprime o ato e atinge ativista do AND
Enquanto os manifestantes exigiam justiça para Pedro, a Polícia Militar disparou balas de borracha contra o ato. Um ativista do Comitê de Apoio ao AND em Florianópolis foi atingido no rosto. Outros participantes também foram alvejados. A correspondência registrou os ferimentos e ouviu manifestantes que denunciaram a repressão.





O AND denuncia e repudia a agressão contra seu ativista e a repressão aos manifestantes que protestavam contra o atropelamento. O jornal seguirá acompanhando o caso e a cobrança pela responsabilização dos policiais envolvidos.
Galinhas-verdes, violência política e a resposta popular
O atropelamento de Pedro e os disparos contra o ato por justiça em Florianópolis ocorreram em meio a uma sequência de ataques durante a farsa eleitoral. Como noticiou o AND, galinhas-verdes lançaram pedras e garrafas contra uma carreata em Montes Claros (MG), ferindo no rosto a vereadora Iara Pimentel. Em Belo Horizonte, o petroleiro aposentado Hilário da Silveira foi atropelado durante uma manifestação; a Federação Nacional dos Petroleiros identificou o motorista como apoiador de Flávio Bolsonaro. Em Sergipe, um sargento bolsonarista apontou uma arma para estudantes reunidos em ato e disparou para o alto.

A violência teve ainda um desfecho fatal em Santos (SP). O jovem engenheiro ambiental e mestrando Marcelo de Oliveira Rocha foi cercado e espancado por um grupo após se afastar de um ato em apoio à reeleição de Luiz Inácio. Ele morreu no dia 26 de outubro.
A derrota de Flávio Bolsonaro não desmobilizou os galinhas-verdes: o candidato contestou o resultado, enquanto Eduardo Bolsonaro pediu apoio estrangeiro contra a eleição. A agitação da extrema direita prossegue, inclusive com suas bases dentro das forças de repressão do velho Estado, e agora voltada também a obter respaldo dos ianques para atacar o resultado da farsa eleitoral.
No editorial “Combater com atos a extrema direita e a ingerência ianque!”, o AND afirma que a resposta a essa ofensiva depende da mobilização independente das massas, do protesto popular e da luta por direitos. O ato por justiça para Pedro expressou essa disposição.
A repressão aos manifestantes reforça a necessidade de ampliar a luta nas ruas contra a violência policial, a extrema direita e a ingerência ianque. Os atos antifascistas, valentia da juventude e a Revolução Agrária em curso no País constituem o verdadeiro contrapeso nos cálculos da extrema direita e do imperialismo ianque para levar adiante sua ofensiva golpista.

ACERCA DEL CORRESPONSAL
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