
247 – O deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) afirmou nesta terça-feira (27), em discurso na Câmara dos Deputados, que a fuga de Flávio Bolsonaro (PL) para os Estados Unidos representa uma “declaração de culpa”. O parlamentar acusou o senador de buscar apoio externo para deixar o Brasil e criar um ambiente internacional de questionamento à democracia brasileira após a derrota eleitoral.
Pimenta declarou que informações divulgadas pela imprensa apontam para uma possível articulação envolvendo o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, e integrantes do governo estadunidense. Segundo o deputado, a saída de Flávio teria sido organizada com antecedência, apesar de a Polícia Federal já dispor de informações sobre a intenção do senador de deixar o país.
“É muito grave o que está acontecendo”, afirmou Pimenta. Ele também mencionou informações de que a Polícia Federal havia solicitado ao Supremo Tribunal Federal (STF) a apreensão do passaporte de Flávio Bolsonaro como medida preventiva.
O deputado relacionou a saída do senador ao resultado das eleições presidenciais. Segundo ele, a sociedade brasileira não esperava que, pouco mais de 24 horas após a votação, houvesse uma operação com participação estrangeira envolvendo um candidato derrotado nas urnas.
Pimenta aponta possíveis motivações para a saída do país
Durante o discurso, o deputado associou a saída de Flávio Bolsonaro do Brasil às investigações sobre suas relações financeiras e políticas. Ele citou a relação do senador com o advogado Willer Tomaz e afirmou que a possibilidade de quebra de sigilo poderia trazer à tona informações ainda não esclarecidas.
Pimenta mencionou possíveis vínculos de Flávio com milícias do Rio de Janeiro, a nomeação da mãe e da esposa de Adriano da Nóbrega para seu gabinete quando atuava na política estadual, além de relações com Daniel Vorcaro e Willer Tomaz.
O parlamentar também citou negócios envolvendo empresas e contas em paraísos fiscais, suspeitas de tráfico de influência relacionadas a indicações para o Conselho Nacional do Ministério Público e possíveis relações com pessoas envolvidas no escândalo do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Segundo Pimenta, Flávio aceitou o desafio de autorizar a quebra de seu sigilo na sexta-feira anterior à eleição porque acreditava que venceria a disputa presidencial. Na avaliação do deputado, a expectativa de vitória teria alimentado a confiança de que estaria protegido de eventuais investigações.
“Flávio Bolsonaro sabe que todas essas investigações terão procedimento e que, portanto, a probabilidade da sua condenação é muito grande, porque ninguém mais do que ele sabe os crimes que cometeu”, declarou.
Deputado aponta reunião com Jair Bolsonaro
Pimenta também afirmou que Flávio Bolsonaro se reuniu com o pai, Jair Bolsonaro, após a derrota eleitoral e que a decisão de deixar o país teria sido tomada depois desse encontro.
Na avaliação do parlamentar, o senador teria comunicado ao ex-mandatário os planos de saída do Brasil. Pimenta alegou ainda que, antes da reunião, Flávio já teria garantias de Marco Rubio e do governo dos Estados Unidos para viajar ao país.
O deputado também levantou a hipótese de participação do governo argentino na operação. Segundo ele, a eventual colaboração teria contribuído para criar um cenário de questionamento à democracia e à soberania brasileiras.
Pimenta pede retorno de Jair Bolsonaro à prisão
Diante das suspeitas que levantou, o deputado defendeu que o Ministério Público Federal (MPF) e o Supremo Tribunal Federal revoguem a prisão domiciliar de Jair Bolsonaro e determinem seu retorno ao sistema penitenciário da Papuda, no Distrito Federal.
“Flávio Bolsonaro decidiu fugir após a reunião com o pai e nós temos que solicitar, senhor presidente, a imediata revogação dessa prisão domiciliar”, afirmou.
O parlamentar também declarou que pretende apresentar uma representação ao Ministério Público Federal e à Polícia Federal para investigar a elaboração de listas com nomes de profissionais liberais e empresários que estariam sendo perseguidos por terem votado em Lula.
Ao encerrar o discurso, Pimenta defendeu a responsabilização dos envolvidos em eventuais crimes contra o país, a democracia e a soberania nacional. “E aqueles que cometerem crime contra o Brasil, contra a democracia e contra a soberania, têm que ser exemplarmente punidos em defesa do Estado Democrático de Direito”, concluiu.
https://www.brasil247.com/brasil/paulo-pimenta-fuga-de-flavio-bolsonaro-e-uma-declaracao-de-culpa/
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