
247 – A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) deve trocar de partido em janeiro de 2027, antes do início da próxima legislatura, e se filiar ao Partido dos Trabalhadores (PT). A possível mudança ocorre após meses de divergências com a direção do PSOL, especialmente em relação às decisões tomadas pela legenda durante as eleições de 2026.
Segundo informações publicadas pela coluna Painel, da Folha de São Paulo, integrantes do PSOL próximos à parlamentar afirmam que sua saída já estaria acertada com o partido. A movimentação ocorre em meio a um desgaste interno provocado pela distribuição de recursos partidários, pela estratégia eleitoral adotada pela sigla e pela decisão de não integrar a federação liderada pelo PT.
De acordo com os relatos, Erika pretende formalizar a mudança antes da posse dos deputados eleitos, marcada para fevereiro de 2027. A coluna procurou a parlamentar em diferentes ocasiões até a última quarta-feira (21), mas não obteve resposta.
A possível saída da deputada preocupa a direção do PSOL, que teme perder outros nomes importantes de seus quadros. Entre os políticos mencionados estão a deputada federal eleita Natalia Boulos, o ministro-chefe da Secretaria–Geral da Presidência, Guilherme Boulos, e a ex-ministra dos Povos Indígenas Sonia Guajajara.
Os três integram a corrente Revolução Solidária, que defendeu a aproximação eleitoral com o PT. A eventual migração desses nomes representaria uma perda política significativa para o PSOL, especialmente após as dificuldades enfrentadas pela legenda para cumprir as exigências eleitorais de desempenho.
Divergências sobre federação com o PT
Um dos principais pontos de conflito entre Erika Hilton e a direção do PSOL foi a decisão de não formar uma federação com o PT, que atualmente integra uma aliança partidária com o PCdoB e o PV.
A proposta era defendida pela Revolução Solidária, que considerava a união necessária para fortalecer o campo progressista e enfrentar o bolsonarismo. Seus integrantes também argumentavam que a federação aumentaria as possibilidades de cumprimento da cláusula de desempenho, mecanismo que estabelece critérios mínimos de votação para o acesso a determinados recursos e prerrogativas partidárias.
A direção do PSOL, comandada pela corrente Primavera Socialista, posicionou-se contra a proposta. O principal argumento era que a participação na federação reduziria o espaço para candidaturas próprias ao Legislativo, uma vez que os partidos integrantes precisam compartilhar o limite de candidatos permitido pela legislação eleitoral.
A decisão provocou insatisfação entre setores da legenda e aprofundou divergências sobre o futuro do partido e sua relação com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Erika Hilton já havia criticado publicamente a estratégia eleitoral adotada pelo PSOL. Em entrevista anterior ao Painel, a deputada afirmou considerar um erro a decisão de não formar uma federação com o PT e questionou a falta de valorização de candidaturas com potencial eleitoral em São Paulo e em outros estados.
Na ocasião, a parlamentar confirmou que havia iniciado conversas com outras legendas, incluindo o próprio Partido dos Trabalhadores.
“Já conversei com o próprio PT. Eu vou me reservar a dizer que tenho tido diálogo com o PT.”
Resultado eleitoral facilita eventual mudança de partido
A possibilidade de saída de Erika Hilton também está relacionada ao desempenho do PSOL nas eleições de 2026. A legenda não conseguiu alcançar o número mínimo de estados com pelo menos 1,5% dos votos exigido pela cláusula de desempenho.
Com o resultado, os deputados eleitos pelo partido passam a contar com uma possibilidade legal de mudança de legenda sem perda do mandato por infidelidade partidária.
Essa condição facilita uma eventual transferência de Erika para o PT, já que a parlamentar não precisaria enfrentar as mesmas restrições aplicadas a deputados de partidos que cumpriram os requisitos legais.
Segundo integrantes do PSOL ouvidos pela Folha, entretanto, a deputada já havia manifestado a intenção de deixar a legenda independentemente do resultado eleitoral. Caso o partido tivesse alcançado a cláusula de desempenho, ela pretendia recorrer ao argumento de justa causa para justificar sua saída e preservar o mandato.
Direção do PSOL tenta manter diálogo com Erika Hilton
Diante das informações sobre a possível mudança partidária, a presidente nacional do PSOL, Paula Coradi, afirmou que a direção permanece disposta a conversar com a deputada.
Em declaração à coluna de Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, Coradi destacou a importância política da parlamentar e reconheceu seu desempenho nas urnas.
“O PSOL tem orgulho da reeleição e da votação histórica de Erika Hilton à Câmara dos Deputados e também avalia como de máxima importância o papel da parlamentar na luta pelo fim da escala 6×1”, diz Coradi.
A manifestação ocorre em um momento de preocupação com a possibilidade de que a saída de Erika estimule outras lideranças a buscar espaço em partidos aliados, especialmente no PT.
Votação histórica amplia peso político da deputada
Reeleita com aproximadamente 1,5 milhão de votos, Erika Hilton foi a mulher mais votada para a Câmara dos Deputados nas eleições de 2026 e conquistou a terceira colocação no ranking geral de votação para a Casa.
O resultado fortaleceu sua projeção nacional e ampliou sua influência nas discussões sobre os rumos da esquerda brasileira.
A parlamentar atribui seu desempenho à presença nas plataformas digitais e à defesa de pautas relacionadas aos direitos dos trabalhadores, especialmente à redução da jornada de trabalho e ao fim da escala 6×1.
https://www.brasil247.com/poder/erika-hilton-deve-migrar-para-o-pt-em-janeiro-dizem-aliados/
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