
247 – O ministro-chefe da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, José Guimarães, defendeu nesta terça-feira (27) a construção de um governo de frente ampla, com maior participação dos setores populares que se mobilizaram pela reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o fortalecimento da articulação política no Congresso Nacional. As declarações foram dadas em Brasília (DF), após uma reunião com a bancada do PT, na qual foram discutidas as prioridades políticas e legislativas do novo governo.
“A bancada está em total sintonia com o governo”, disse Guimarães a jornalistas, ao destacar a convergência entre os parlamentares petistas e o Executivo sobre os principais desafios do próximo mandato.
Segundo o ministro, a reunião consolidou três prioridades para a reorganização da relação entre o governo, sua base parlamentar e os movimentos sociais. A primeira envolve reconhecer e incorporar à construção do novo governo os setores que participaram ativamente das mobilizações eleitorais. A segunda é aprimorar a relação com o Congresso Nacional, por meio de uma frente ampla capaz de fortalecer a fidelidade dos aliados. A terceira diz respeito à participação do próprio PT nas decisões do Executivo.
“Os líderes que se colocaram e disseram que o novo governo precisa olhar para três questões principais: reconhecer os contingentes revolucionários que foram para as ruas e precisam estar na construção do governo, essa sendo a questão central; aprimorar a relação com o Congresso Nacional, fazendo um governo de frente ampla inclusive o Central, construindo fidelidade dos aliados com o governo; por fim, o PT foi muito generoso na campanha e terá uma voz efetiva junto ao governo”, disse Guimarães.
A defesa da frente ampla está associada, portanto, à necessidade de consolidar uma base política mais abrangente, que reúna diferentes forças parlamentares e assegure condições para a aprovação das propostas do Executivo. Na avaliação apresentada por Guimarães, essa articulação deve caminhar ao lado de uma relação mais próxima com os grupos que tiveram participação direta na campanha eleitoral.
O ministro também reconheceu que o governo precisa rever sua forma de interlocução com os setores populares mobilizados nas ruas, apontando uma deficiência na relação mantida anteriormente com esses grupos.
“Foi um erro nosso não dialogar com esses setores que foram para as ruas”, disse Guimarães.
A declaração reforça a intenção de ampliar a participação dessas forças na construção política do próximo mandato, sem restringir a sustentação do governo às negociações entre partidos e lideranças do Congresso.
Ao tratar especificamente do papel do PT, Guimarães ressaltou que a composição de uma frente ampla não significa reduzir a importância do partido do presidente. Segundo ele, a legenda terá participação relevante nas decisões políticas e na sustentação parlamentar do Executivo.
“Não é um governo só do PT, é um governo amplo, mas o PT tem posição de destaque e vai nos ajudar muito a governar o Brasil”, disse Guimarães.
O posicionamento expressa a intenção de conciliar uma coalizão governista diversificada com a presença efetiva do PT na definição das prioridades e na condução das políticas públicas.
Além da articulação política, o encontro abordou a agenda legislativa que deverá concentrar a atuação do governo e de sua base parlamentar em novembro.
Entre os temas considerados prioritários estão a medida provisória das bets, o Orçamento e a proposta de Tarifa Zero. Guimarães também destacou a necessidade de avançar na discussão da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública.
“A PEC da Segurança precisa ser discutida e votada”, disse Guimarães.
A manifestação do ministro indica que a proposta de segurança integra o conjunto de matérias cuja tramitação o governo pretende priorizar, ao lado das iniciativas econômicas, orçamentárias e de mobilidade.
Com essas pautas, o Executivo buscará articular o apoio de sua base no Congresso, fortalecer a participação do PT e ampliar o diálogo com os setores populares, dentro da estratégia de formação de uma frente ampla para o novo mandato presidencial.
Durante a mesma coletiva, o líder do PT na Câmara dos Deputados, Pedro Uczai (PT-SC), afirmou que a reforma do Judiciário está entre as prioridades da bancada, embora tenha indicado que a proposta não deverá ser submetida à votação ainda neste ano.
O parlamentar também defendeu a prioridade na tramitação de um projeto de lei complementar (PLP) que prevê a transferência de recursos provenientes dos excedentes dos royalties do pré-sal para a educação, ampliando a destinação de receitas do setor petrolífero ao financiamento educacional.
https://www.brasil247.com/poder/guimaraes-defende-frente-ampla-e-maior-participacao-do-pt-no-governo-lula-4/
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