
As vendas no setor de bares e restaurantes cresceram 9,9% no terceiro trimestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior. Em relação a setembro de 2025, o avanço foi de 10,8%, ante 7,9% em agosto, também na comparação ano contra ano. Com isso, o setor segue há mais de 12 meses com o desempenho acima do observado no ano anterior. Os dados são do Índice Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel)-Stone.
“O setor vem se beneficiando de fatores que sustentaram o consumo nos últimos meses, como o baixo desemprego e a injeção de recursos na economia durante o período eleitoral. Ainda assim, a pequena retração de setembro em relação ao mês anterior merece atenção, porque pode sinalizar uma perda de fôlego da atividade econômica. O fim do ano tradicionalmente traz boas perspectivas para o comércio e os serviços, mas há um risco adicional no horizonte: a implementação do fim da escala 6×1 no calendário previsto. Uma mudança dessa dimensão, sem tempo adequado para adaptação, pode elevar custos, comprometer a capacidade produtiva e afetar o nível de atividade em diversos setores. O risco é que essa transição abrupta contribua para uma desaceleração profunda, com consequências para o emprego, a renda e o consumo”, afirma Paulo Solmucci, presidente-executivo da Abrasel.
Segundo o economista Guilherme Freitas, pesquisador da Stone, o resultado do período reforça a resiliência do setor, mesmo diante de um ambiente de ajuste na margem.
“Apesar da ligeira retração na análise mensal, o avanço na comparação anual e o desempenho positivo no fechamento do trimestre, mostram que bares e restaurantes seguem sustentados pela força do mercado de trabalho. A geração de renda e os níveis favoráveis de emprego continuam apoiando o consumo das famílias e contribuindo para que o setor mantenha um desempenho superior ao observado há um ano”, afirma.
Para Freitas, a manutenção dos patamares de vendas indica a relevância do segmento na rotina de consumo do país.
“Ver a atividade do setor se consolidar ao longo de mais de 12 meses comprova que a alimentação fora do lar permanece como uma escolha prioritária. Esse movimento homogêneo pelo país demonstra a força da demanda e a consistência da alimentação fora do lar no cotidiano dos brasileiros”, completa.
Todos os 24 estados analisados apresentaram crescimento nas vendas em bares e restaurantes em setembro, na comparação anual. As maiores altas foram registradas em Roraima (26,3%), Rondônia (22%) e Sergipe (20,6%), seguidos por Paraíba (17,8%), Amazonas (16,8%), Santa Catarina (16,5%), Pernambuco (16,3%), Mato Grosso (15,4%), Alagoas e Goiás (ambos com 14,5%), Tocantins (14,4%), Bahia e Rio Grande do Sul (ambos com 13,6%), Ceará (12,5%), Rio de Janeiro (12,3%), Pará (11,6%), Espírito Santo (10,5%), Minas Gerais (10,3%), Maranhão e Mato Grosso do Sul (ambos com 9,2%), Rio Grande do Norte (8,2%), Paraná (7,7%), São Paulo (6,8%) e Piauí (1,5%).
Na mesma linha, todas as cinco macrorregiões brasileiras também registraram crescimento nas vendas em bares e restaurantes durante o mês, na comparação anual. A maior alta foi observada na Região Norte (18,2%), seguida pelo Centro–Oeste (13%), Nordeste (12,7%), Sul (12,6%) e Sudeste (10%).
Fim da escala 6×1: governo ainda não definiu regras para setor
Nenhuma regra específica para bares e restaurantes foi anunciada até agora na regulamentação do fim da escala 6×1. O alerta é da Abrasel, que nesta terça-feira enviou aos empresários do setor a versão 3.0 do guia “Proibição da escala 6×1” e um comunicado de Paulo Solmucci, para conter a circulação de informações falsas e desencontradas sobre o tema.
Também nesta terça, a senadora Teresa Leitão (PT-PE), líder do partido no Senado, afirmou que o governo federal discute a regulamentação das exceções à nova jornada. Está prevista uma lei complementar para jornadas atípicas, que não cabem no modelo 5×2, como os regimes de plantão e a jornada dos aeroviários. Um decreto ainda está em estudo no Ministério do Trabalho. A senadora citou a possibilidade de medidas para empresas que precisarem contratar mais funcionários por causa da mudança, sem dar detalhes.
“Circulam mensagens prometendo exceção para bares e restaurantes. Isso não existe hoje. O momento é de cautela, recomendo não tomar ações precipitadas até a primeira semana de novembro, quando devemos ter mais notícias por parte do governo e do Parlamento”, afirma Solmucci.
O que já vale é a Emenda Constitucional 141, promulgada em 16 de outubro. A partir de 15 de dezembro, ela garante duas folgas semanais remuneradas e reduz a jornada máxima de 44 para 42 horas semanais, sem corte de salário. O limite cai para 40 horas no fim de 2027. Acordos e convenções coletivas que não se adequarem perdem a validade em dezembro.
Em pesquisa nacional da Abrasel feita em fevereiro de 2026 com 1.838 empresários, 94,3% dos estabelecimentos com empregados CLT disseram trabalhar com mensalistas que têm uma folga por semana. A Abrasel estima que o custo com pessoal pode subir até 20%.
https://monitormercantil.com.br/vendas-em-bares-e-restaurantes-cresceram-99-no-terceiro-trimestre/
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