
247 – 247 – O ministro das Relações Exteriores do Peru, Carlos Espá, foi convocado para comparecer ao Legislativo em 19 de outubro e prestar esclarecimentos sobre a adesão do país ao Escudo das Américas. Segundo a Prensa Latina, parlamentares questionam o alcance desse compromisso após a presença de um diplomata peruano na sessão do Congresso boliviano que destituiu o então procurador-geral Roger Mariaca.
A convocação foi proposta pela deputada Giannina Avendaño, do partido progressista Juntos pelo Peru (JP), que critica a mudança de orientação da política externa peruana. O episódio ampliou as cobranças por explicações e levou parlamentares a defender um procedimento de interpelação do chanceler, que pode anteceder uma eventual censura e sua saída do cargo.
No centro da controvérsia está a atuação do diplomata Fernando Suni. Na semana passada, ele acompanhou a sessão do Legislativo boliviano ao lado de representantes da Argentina e dos Estados Unidos. A Prensa Latina relata que Mariaca foi posteriormente levado à força para território norte-americano.
Congressistas da oposição sustentam que, ao apresentar ao Legislativo a adesão ao Escudo das Américas, Espá não esclareceu suficientemente que o compromisso poderia envolver situações como a registrada na Bolívia. A cobrança abrange tanto a presença de Suni na sessão quanto o apoio manifestado pelo governo peruano às ações contra o procurador.
Governo afirma que diplomata apenas coletava informações
O Ministério das Relações Exteriores do Peru respondeu às críticas com uma declaração na qual afirmou que Fernando Suni compareceu à sessão apenas para obter informações, dentro das atribuições autorizadas pelas normas internacionais. A chancelaria também expressou apoio às decisões do governo boliviano.
A justificativa não encerrou os questionamentos. O senador centrista César Holguín pediu que o governo explique por que subscreveu uma declaração de apoio às medidas contra Mariaca e por que enviou um representante diplomático ao Congresso do país vizinho.
“Essas decisões comprometem nossa política externa, e o Peru não é quintal dos Estados Unidos. Nossa soberania deve ser respeitada”, afirmou Holguín.
A discussão passou, assim, a envolver a autonomia da política externa peruana e os limites da atuação de seus representantes em acontecimentos políticos de outros países.
Analistas contestam justificativa da chancelaria
O analista internacional Óscar Vidarte questionou a explicação de que a participação de Suni teria caráter exclusivamente informativo. Segundo ele, o ministro da Presidência da Bolívia, Fernando Aramayo, “confirmou que a presença do diplomata peruano no Congresso boliviano tinha uma motivação política”.
Na avaliação de Vidarte, o objetivo era respaldar as decisões do governo boliviano. “Em outras palavras, a presença deles não foi meramente informativa. A mera presença de diplomatas estrangeiros no Congresso boliviano é politicamente questionável”, declarou.
Vidarte também criticou o que considera uma estratégia intervencionista de Washington na América Latina. A análise associa o episódio à influência dos Estados Unidos sobre decisões políticas na região, enquanto o governo peruano sustenta que seu representante atuou dentro das funções diplomáticas.
Outro analista internacional, Francisco Belaunde, classificou a resposta do Ministério das Relações Exteriores como “Absolutamente insatisfatória”. Ele levantou a hipótese de que a presença do representante peruano tenha sido determinada por Washington, sem apresentar essa suspeita como fato comprovado.
“É uma pena, mas isso levanta a suspeita de que a ordem para o diplomata peruano comparecer àquela sessão partiu, na verdade, do Departamento de Estado dos EUA”, afirmou.
Parlamentares propõem interpelação do ministro
As congressistas Mirtha Vásquez e Indira Huilca estão entre as parlamentares que propõem interpelar Espá. O procedimento pode abrir caminho para uma censura ao ministro e seu afastamento da chancelaria.
Belaunde avalia que esse desfecho é possível, “a menos que a perspectiva de perder seus vistos para os Estados Unidos impeça as parlamentares”. A declaração expressa a avaliação do analista sobre a reação do Legislativo.
Além dos esclarecimentos sobre o Escudo das Américas e a atuação peruana na Bolívia, Espá deverá apresentar, em 19 de outubro, as diretrizes da política externa do país e um relatório sobre a visita do papa Leão XIV ao Peru, prevista para novembro.
https://www.brasil247.com/america-latina/chanceler-do-peru-e-convocado-a-explicar-adesao-ao-escudo-das-americas/
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