

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) terá uma série de obstáculos para tentar superar o senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições presidenciais de 2026, marcado para 25 de outubro. Após terminar a primeira etapa da disputa em segundo lugar, o petista precisará recuperar votos em regiões estratégicas, reduzir a abstenção e conquistar parte do eleitorado que optou por outros candidatos.
No primeiro turno, Flávio Bolsonaro recebeu 47% dos votos válidos, enquanto Lula alcançou 45,1%. A diferença de aproximadamente 2,5 milhões de votos representa um desafio para o atual presidente, que busca a reeleição.
Além da desvantagem nas urnas, Lula enfrenta um cenário diferente daquele registrado em 2022. O presidente perdeu participação nos votos em todos os estados nordestinos, viu a diferença crescer em São Paulo e foi derrotado em Minas Gerais, estado onde havia vencido Jair Bolsonaro na eleição anterior.
Confira os cinco principais desafios de Lula para o segundo turno.
1. Reduzir a abstenção e mobilizar eleitores que não votaram
Um dos principais desafios da campanha petista será convencer os brasileiros que não participaram do primeiro turno a comparecer às urnas no dia 25 de outubro.
Segundo os dados eleitorais, aproximadamente 33,4 milhões de pessoas deixaram de votar na primeira etapa da disputa, o equivalente a 21% do eleitorado. Foi o maior índice de abstenção em um primeiro turno presidencial desde 1998.
O número chama atenção porque representa mais de dez vezes a diferença de votos registrada entre Lula e Flávio Bolsonaro.
Historicamente, a abstenção costuma ser maior entre eleitores de baixa renda e menor escolaridade, segmentos nos quais o presidente registra desempenho eleitoral expressivo.
Na avaliação de especialistas, a dificuldade de convencer eleitores já identificados com um dos candidatos torna a mobilização de novos votantes uma das principais alternativas para o PT. A campanha também precisará apresentar propostas capazes de despertar o interesse de brasileiros desmotivados com a disputa política.
Outro obstáculo é o desgaste provocado pela repetição do confronto entre o PT e a família Bolsonaro, que pode contribuir para o afastamento de parte do eleitorado.
2. Recuperar a votação perdida no Nordeste
O Nordeste, tradicionalmente considerado uma das principais bases eleitorais de Lula, também representa um desafio para a campanha presidencial.
Embora tenha mantido desempenho expressivo na região, o petista registrou queda na participação dos votos em todos os nove estados nordestinos na comparação com o primeiro turno de 2022.
No Maranhão, Lula passou de 68,84% para 63,91%, uma redução de 4,93 pontos percentuais. Na Bahia, o percentual caiu de 69,73% para 66,04%, diferença de 3,69 pontos.
A redução preocupa aliados porque a região costuma contribuir significativamente para compensar resultados menos favoráveis ao PT em outras partes do país.
Especialistas avaliam que o desempenho nordestino também pode refletir insatisfação de parte do eleitorado com o governo federal, além de dificuldades da campanha em ampliar o diálogo com segmentos que tradicionalmente apoiam o presidente.
Outro obstáculo será a ausência de disputas estaduais de segundo turno em importantes colégios eleitorais nordestinos, como Bahia, Ceará e Piauí, onde os governadores foram reeleitos na primeira etapa.
Sem campanhas estaduais simultâneas, a mobilização dependerá ainda mais da atuação de prefeitos, governadores, parlamentares e lideranças partidárias.
Na Paraíba, o governador reeleito Lucas Ribeiro (PP) anunciou que participará da coordenação da campanha de Lula no estado, ao lado de outras lideranças políticas.
3. Diminuir a vantagem de Flávio Bolsonaro em São Paulo
São Paulo, maior colégio eleitoral do Brasil, será outro ponto importante na disputa presidencial.
No primeiro turno, Flávio Bolsonaro terminou com uma vantagem de 14 pontos percentuais sobre Lula no estado. O resultado representa o dobro da diferença registrada entre Jair Bolsonaro e o petista na primeira etapa das eleições de 2022.
Apesar de ter vencido na capital paulista por aproximadamente cinco pontos percentuais, Lula enfrentou dificuldades em municípios do interior, onde o candidato do PL conquistou resultados expressivos.
O cenário também envolve a influência política do governador Tarcísio de Freitas, reeleito no primeiro turno e aliado de Flávio Bolsonaro.
A campanha petista terá o desafio de ampliar sua votação na capital e na Região Metropolitana, além de tentar reduzir a diferença em municípios do interior.
Na avaliação de analistas políticos, o interior paulista concentra um eleitorado mais conservador, enquanto a capital e parte da Região Metropolitana apresentam um cenário de maior competitividade entre as duas candidaturas.
Mesmo pequenas alterações percentuais em São Paulo podem representar centenas de milhares de votos, considerando o tamanho do eleitorado estadual.
4. Reverter o resultado em Minas Gerais
Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral brasileiro, também terá papel importante no segundo turno.
No primeiro turno de 2026, Flávio Bolsonaro venceu Lula no estado por uma diferença de cinco pontos percentuais. O resultado contrasta com o cenário de 2022, quando o presidente havia superado Jair Bolsonaro por margem semelhante.
O eleitorado mineiro apresenta diferenças regionais importantes. No Norte de Minas, Lula costuma registrar resultados mais favoráveis, enquanto regiões do Sul e do Oeste apresentam maior presença de eleitores identificados com candidaturas de direita.
Outro fator político é a eleição do senador Cleitinho para o Governo de Minas Gerais ainda no primeiro turno. O novo governador declarou apoio a Flávio Bolsonaro.
Por outro lado, Lula poderá contar com a atuação de aliados no estado, incluindo a senadora eleita Marília Campos (PT), para tentar ampliar sua presença eleitoral.
Analistas apontam que o desempenho de Cleitinho representa um fortalecimento das lideranças de direita no estado, o que acrescenta dificuldades à estratégia de recuperação do eleitorado petista.
Minas Gerais possui um histórico de acompanhar o resultado nacional das eleições presidenciais, o que aumenta a atenção das campanhas sobre o comportamento dos eleitores mineiros.
5. Disputar os votos dos candidatos eliminados no primeiro turno
Além de recuperar eleitores em regiões estratégicas, Lula precisará disputar os votos destinados aos candidatos que ficaram fora do segundo turno.
Augusto Cury (Avante), Renan Santos (Missão), Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) reuniram milhões de votos na primeira etapa da eleição.
Renan, Caiado e Zema, identificados com posições políticas de direita, conquistaram juntos pouco menos de 5% dos votos válidos. Analistas avaliam que parte desse eleitorado possui maior proximidade ideológica com Flávio Bolsonaro, o que pode dificultar a conquista desses votos pelo presidente.
Já os eleitores de Augusto Cury representam um grupo com características diferentes. O escritor recebeu aproximadamente 3,4 milhões de votos e apresentou sua candidatura como alternativa à polarização política.
Cury anunciou que não apoiará nenhum dos dois candidatos no segundo turno, deixando seus eleitores livres para definir o voto.
Na avaliação de especialistas, a campanha de Lula também precisará ampliar o diálogo com o eleitorado de centro, segmento considerado importante em suas vitórias anteriores. A estratégia adotada no primeiro turno teria priorizado a mobilização de apoiadores tradicionais, com menor aproximação de eleitores que não se identificam diretamente com o PT.
A disputa por esse segmento poderá envolver temas como economia, segurança pública, programas sociais e propostas para os próximos quatro anos.
Outro desafio será conquistar eleitores que votaram em branco ou anularam o voto no primeiro turno. Aproximadamente seis milhões de brasileiros escolheram uma dessas opções.
Virada seria inédita nas eleições presidenciais
Além dos desafios eleitorais, Lula terá que enfrentar um histórico desfavorável. Desde a redemocratização, nenhuma eleição presidencial brasileira registrou uma virada entre o primeiro e o segundo turno.
O presidente também chega à disputa com aproximadamente 3,5 milhões de votos a menos do que recebeu no primeiro turno de 2022. Flávio Bolsonaro, por sua vez, obteve cerca de cinco milhões de votos a mais do que Jair Bolsonaro havia conquistado na mesma etapa daquela eleição.
Com a votação marcada para 25 de outubro, as próximas semanas serão decisivas para as estratégias dos dois candidatos, que buscarão ampliar suas bases de apoio e conquistar os eleitores ainda disponíveis na disputa.
https://www.polemicaparaiba.com.br/politica/lula-vai-conseguir-virar-no-segundo-turno-veja-os-cinco-principais-desafios-do-presidente/
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