
O monopólio de imprensa ultrarreacionário ianque New York Post publicou, em 10 de outubro, uma matéria alarmista sobre um “perigosíssimo” acampamento de verão anti-imperialista realizado de maneira “escondida” no noroeste do país Estados Unidos (EUA). Apresentado como “exclusivo”, o texto anuncia adolescentes com “bandeiras terroristas” e aprendizagem de “táticas de guerra maoistas”. As fotografias e a descrição desse exitoso encontro da juventude combatente estadunidense, no entanto, haviam sido divulgadas pelos próprios participantes em agosto.
O balanço do acampamento foi publicado pelo Serve the People em 21 de agosto. Em 25 daquele mês, a Liga Anti-imperialista Internacional (LAI) reproduziu a comunicação da Juventude Revolucionária de Puget Sound sobre sua participação; no mesmo dia, o evento foi inclusive rapidamente noticiado por AND. A descoberta “exclusiva” chegou ao Post depois de quase dois meses de divulgação pública…
O relato dos organizadores informa que o encontro reuniu secundaristas, estudantes de faculdades comunitárias e jovens operários. Houve horas de estudo e debate, práticas esportivas e canto coletivo de canções revolucionárias. É esse programa que o tabloide apresenta ao público sob o enquadramento de um acampamento ligado ao “terrorismo”.
A reportagem sensacionalista do jornaleco ianque se baseia em materiais fornecidos pelo Instituto de Valores da América do Norte (NAVI, na sigla em inglês), ligado ao paquidérmico lobby sionista no EUA, cuja diretora de pesquisas, Mika Hackner, declara: “Os secundaristas estão sendo conduzidos a uma ideologia perigosa e violenta [o maoismo] por grupos associados a organizações terroristas”. Hackner é ex-funcionária da embaixada de “Israel” na Austrália, entre 2007 e 2008.
Hackner afirma ainda que a Juventude Revolucionária busca novos integrantes em escolas da Costa Oeste por meio de paralisações estudantis – bravo! –, mencionando, consternada, mobilizações de 7 de outubro, que ocorreram por todo o EUA em celebração dos três anos do Dilúvio de Al-Aqsa e em defesa da Resistência Nacional Palestina. Mais hilário ainda vindo de uma entidade que apresenta em seu site o uso da imprensa e da pressão pública como instrumentos para intervir no sistema escolar.

Bandeiras, faixas e estudos políticos
Nas imagens aparecem bandeiras da LAI, do Irã, da Palestina, do Hamas e do Hezbollah. Uma faixa, assinada pela Frente Anti-imperialista do EUA, dizia: “Vitória ao Eixo da Resistência! Imperialismo ianque, fora do Oriente Médio!”. Outra trazia a consigna “Os mártires do Partido e da Revolução são imortais!”, em referência aos heróis e heroínas caídos em combate na Guerra Popular na Índia.




O balanço explicita o apoio dos participantes ao que denomina Eixo da Resistência, incluindo Irã, Resistência Palestina, Hezbollah, no Líbano, e Ansarallah, no Iêmen. Também registra que o programa se baseou em documentos do Partido Comunista do Peru (PCP), do Partido Comunista da Turquia/Marxista–Leninista (TKP/ML) e do Partido Comunista da Índia (Maoista), com discussões sobre as guerras populares no Peru, na Turquia, na Índia e nas Filipinas.
“A camaradagem se fortaleceu por meio da disciplina física cultivada através do esporte e do canto coletivo de canções revolucionárias”, afirma o relato. O texto descreve atividades de formação política e condicionamento físico.

‘Aprender com o Presidente Gonzalo’
A presença de documentos do PCP no programa corresponde a uma tomada de posição também expressa em comunicados públicos das organizações. Uma declaração conjunta para o 1º de Maio de 2026, assinada pelo então Comitê de Coordenação da Frente Anti-imperialista e pelo Comitê de Coordenação da Juventude Revolucionária, entre outros coletivos, utiliza a consigna “Aprender com o Presidente Gonzalo, unir-se sob o maoismo”.
No documento, os signatários afirmam trabalhar pela unidade “sob a ideologia do proletariado internacional: o marxismo-leninismo-maoismo, principalmente maoismo, com os aportes de validez universal do Presidente Gonzalo”, questão-chave para o processo de reconstituição do Partido Comunista do EUA. “Presidente do Partido Comunista do Peru e líder da Guerra Popular invicta, o principal aporte do Presidente Gonzalo é a definição do maoísmo”, declaram. Também assinaram a declaração o Comitê pelo Trabalho Organizado, a Frente de Defesa Popular, a editora Prairie Fire, a Formação do Sul, o jornal The Worker e o Círculo de Estudos Operários.
Revolucionários celebram o Dilúvio de Al-Aqsa
As “aterradoras” mobilizações de 7 de outubro alardeadas por Hackner ocorreram nos estados de Washington, Califórnia e Indiana. Seções da Juventude Revolucionária e frentes estudantis promoveram saídas coletivas das aulas, os chamados walkouts, e manifestações em solidariedade ao povo palestino e contra a chancela do EUA ao genocídio em Gaza.
Em Washington, a Juventude Revolucionária de Seattle informou que centenas de estudantes deixaram as aulas em 24 estabelecimentos de ensino, entre escolas do ensino fundamental, secundárias e faculdades. Em Seattle, os manifestantes se concentraram no Cal Anderson Park e marcharam até a Faculdade Central de Seattle, após queimar bonecos de Trump e Netanyahu. As seções de Tacoma e Bellingham também registraram atos, respectivamente no Colégio Mount Tahoma e na Universidade do Oeste de Washington.
Na Califórnia, a Juventude Revolucionária de Los Angeles coordenou a saída das aulas de secundaristas de diferentes escolas e um ato no centro da cidade. Em Oakland, a Organização da Juventude Revolucionária registrou saídas das aulas em escolas de vários pontos da cidade e uma manifestação no Lago Merritt.
Em West Lafayette, Indiana, a Frente Estudantil Revolucionária registrou uma marcha de estudantes e trabalhadores da Universidade Purdue. Os manifestantes exigiram que a instituição rompesse vínculos com “Israel” e retirasse investimentos de empresas envolvidas no genocídio. O relato registra a destruição de um boneco de Trump e a queima das bandeiras de “Israel” e do EUA.
Em Bellevue, a seção local da Juventude Revolucionária denunciou, em publicação de 11 de outubro, que policiais agrediram estudantes do Colégio Sammamish durante a saída das aulas pela Palestina.
O alarde contra o acampamento acompanha a campanha do Post por maior colaboração com a repressão migratória de Trump. Em 12 de outubro, o jornal qualificou como “profundamente preocupante” a soma de 52.503 acusações e condenações associadas a 16.070 pedidos de retenção de imigrantes recusados em Nova York. Na mesma reportagem, chamou as cidades que restringem essa colaboração de “perigosas cidades-santuário esquerdistas”. A tolerância com a política repressiva do governo contrasta com o escândalo fabricado em torno de livros, bandeiras e canções.

Frente anuncia construção e debate necessidade da direção proletária
Em seu “Anúncio sobre a construção da Frente Anti-imperialista do EUA”, o Comitê de Coordenação vincula a articulação da Frente à necessidade da organização da classe operária e da reconstituição do Partido Comunista do EUA com base no marxismo-leninismo-maoismo. O documento situa esse esforço na crise geral de decomposição do imperialismo e na convergência entre as lutas nos países imperialistas e nas nações oprimidas.
O documento relaciona a exploração no EUA ao agravamento das condições de vida: “Em casa, o aumento dos preços, a redução dos salários, as escolas em ruínas e a violência estatal provêm todos da mesma fonte”. Afirma que a repressão aos imigrantes busca impor salários mais baixos e submeter os indocumentados, como “meio de incutir medo e disciplina em todos os trabalhadores”.
O Comitê vincula os ataques aos direitos democráticos conquistados nas lutas populares à concentração do poder no Executivo e à preparação para o fascismo, com o incremento da militarização, da reacionarização e da repressão estatal. “A democracia burguesa tornou-se cada vez mais um obstáculo à manutenção da ditadura da burguesia”, afirma.
Ao tratar das perspectivas políticas, o documento afirma: “Países imperialistas como o nosso já estão maduros para a revolução socialista, cujas condições amadurecem rapidamente”. O Comitê apresenta a construção da Frente como instrumento para se articular ao movimento anti-imperialista internacional, após a fundação da LAI. “Vivemos e nos organizamos numa época em que a revolução é a tendência principal no mundo”, declara.

ACERCA DEL CORRESPONSAL
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