
Após a coligação do candidato ao Governo do Estado, Lorenzo Pazolini (Republicanos), acionar a Justiça Eleitoral sobre vídeo publicado em redes sociais, o prefeito de Baixo Guandu, Lastênio Cardoso (MDB), recuou quanto ao volume de demissões que prevê na prefeitura em caso de derrota de Ricardo Ferraço (MDB). Contudo, “não arregou” e disse que teme a vitória de Pazolini seja risco para a cidade que administra.
Em entrevista concedida a ES Hoje na manhã desta segunda-feira (13), o chefe do Executivo guaduense admitiu que “exagerou” ao citar o número de 700 cortes no funcionalismo, mas manteve a declaração de que a troca de comando no Palácio Anchieta poderá levar à paralisação de repasses, obras e desligamentos na gestão municipal.
O desdobramento ocorre após a repercussão de um vídeo publicado no perfil oficial do prefeito no Instagram no último sábado (10). Na gravação, Lastênio afirmava abertamente: “Caso o Ricardo Ferraço, o 15 aqui, não vença as eleições, o que vai acontecer em Guandu? A prefeitura vai ter que demitir, talvez, umas 700 pessoas”. No mesmo vídeo, o prefeito associou o resultado das urnas à continuidade de obras estaduais, repasses orçamentários e à manutenção do transporte escolar para alunos do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes).
Ao longo da entrevista, contudo, o prefeito adotou um tom de pragmatismo republicano caso o resultado das urnas seja favorável à oposição: “Agora, se Pazolini ganhar e for um bom governador, vai ser bom do mesmo jeito”.
“Falei um pouco a mais”
Lastênio Cardoso argumentou que sua fala buscou alertar a população sobre o impacto fiscal e econômico que a interrupção de convênios estaduais causaria às finanças municipais. No entanto, o prefeito reavaliou os números informados anteriormente no vídeo.
“Se parar as obras, com certeza eu vou ter, não os 700 que eu falei, eu falei pouco a mais, mas pelo menos uma parte dessas demissões, com certeza vai ter. Não tem como. E tem outros problemas porque em vários setores que a gente depende do Estado. Se o Estado cortar, já era. Eu me expor é meu jeito e não vou arregar. É meu jeito de falar verdade”, declarou o prefeito à ES Hoje.
Projeção de R$ 150 mi em investimentos
De acordo com o prefeito, a preocupação central gira em torno da arrecadação tributária atrelada aos investimentos estaduais no município. Segundo ele, o volume de obras públicas viabilizado pela parceria com a atual gestão do governo do Estado gera receitas diretas de Imposto Sobre Serviços (ISS) e Imposto de Renda que custeiam serviços básicos locais.
“Essas obras todas que o Governo do Estado fez no governo com Ricardo e Casagrande (PSB), foram mais de R$ 300 milhões, e se você colocar isso aí 3 vezes 5, que é o ISS, mais o Imposto de Renda a gente recebe mais de 15 milhões de reais. É o dinheiro que você gasta pra pagar funcionário, para pagar o ônibus do Ifes, porque é o dinheiro nosso”, explicou Lastênio.
O prefeito destacou que novos investimentos estaduais estão programados para o município, incluindo o projeto do Hospital de Baixo Guandu — avaliado em R$ 60 milhões —, além de intervenções de pavimentação asfáltica. No total, os projetos somam mais de R$ 150 milhões.
“Esse dinheiro está lá no Estado. Se o Estado (com Pazolini eleito governador) resolver não fazer, nós não vamos receber esse dinheiro. Fora as obras que têm por vir ainda, né, que estão programadas, se ele não quiser fazer… ele não vai fazer e é um dinheiro que nós vamos perder. Como é que eu vou manter o transporte do Ifes, como é que eu vou manter alguns funcionários? Eu não vou manter, eu não tenho como manter. Eu tenho certeza que se o Ricardo vencer nós vamos manter esse ritmo que nós temos”, reiterou.
Temor de perseguição política e defesa de posição na eleição
Embora a campanha de Lorenzo Pazolini venha negando publicamente em agendas e postagens qualquer intenção de interromper convênios municipais ou paralisar obras estaduais, Lastênio afirmou que mantém o receio de perseguição política por ter tomado lado ostensivo na disputa estadual ao apoiar a reeleição de Ricardo Ferraço.
“Mas eu tenho receio, porque dizem que Pazolini é muito perseguidor, então, o receio nosso é esse. Eu tenho posição. Estou com Ricardo, tenho gratidão por ele. Campanha tem que ter lado, né? É do jogo ganhar ou perder, mas tem que ter lado e eu não vou sair por causa dele (Pazolini) estar na frente da pesquisa. Não faço isso nunca. Eu tenho gratidão e gratidão não tem negócio”, enfatizou.
ACERCA DEL CORRESPONSAL
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