

A ex-deputada federal Joice Hasselmann anunciou que votará no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais, marcado para domingo (25). Em vídeo publicado nas redes sociais, ela afirmou que a decisão está relacionada à defesa da democracia, apesar das divergências políticas que mantém com o presidente e o Partido dos Trabalhadores.
Ao justificar seu voto, a ex-parlamentar afirmou que considera necessário preservar as instituições democráticas e a possibilidade de divergência política.
“Afinal, perder uma eleição, tudo bem. Perder a democracia, jamais”, declarou. Em outro trecho, foi direta ao anunciar sua escolha: “Voto em Lula, sem meias palavras, sem hipocrisia”.
De aliada de Bolsonaro a crítica do bolsonarismo
Joice Hasselmann relembrou sua participação na campanha de Jair Bolsonaro em 2018, quando atuou como uma das principais vozes de apoio ao então candidato. Posteriormente, ela assumiu a liderança do governo Bolsonaro no Congresso Nacional.
Segundo a ex-deputada, a decepção com o governo começou ainda no primeiro ano do mandato, quando passou a identificar comportamentos que, em sua avaliação, contrariavam as expectativas que motivaram seu apoio político.
“Em 2018, acreditei em Bolsonaro, sim”, afirmou. Ao comentar sua experiência com o grupo político do ex-presidente, acrescentou: “Eu vi o clã por dentro”.
Joice também reconheceu sua participação na construção política do bolsonarismo e declarou: “Eu errei em ajudar, mas não poderia ficar de braços cruzados”.
Ex-deputada relata perseguições e agressões
No vídeo, Joice afirma que o rompimento com Bolsonaro foi seguido por perseguições políticas, ataques à sua reputação e perda de espaço político. Ela também relata ter sido grampeada e espancada em 2021, episódio que, segundo sua versão, ocorreu após a invasão de seu apartamento.
A ex-parlamentar ainda afirma que denunciou a existência de uma minuta de golpe em 2019 e que levou a informação ao então presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli.
“Esta minuta já existia no primeiro ano de governo”, declarou.
As afirmações sobre as agressões e a suposta articulação golpista integram o relato apresentado pela ex-deputada.
“Os dois lados não são iguais”
Ao explicar a decisão de votar em Lula, Joice argumentou que as divergências entre diferentes correntes políticas não impedem a convivência democrática, desde que sejam respeitadas as regras institucionais.
“Hoje posso confirmar: os dois lados não são iguais”, afirmou.
A ex-deputada disse continuar discordando da esquerda em diversas questões, mas ressaltou que considera possível fazer oposição dentro do sistema democrático. Também criticou a família Bolsonaro e manifestou preocupação com a possibilidade de continuidade do grupo no comando da Presidência da República.
Em sua avaliação, uma eventual vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL) poderia favorecer a permanência da família no poder por um período prolongado. Joice também fez acusações contra o grupo político, que atribuiu ao risco de uso indevido dos recursos públicos.
Joice diz que pretende voltar à oposição após a eleição
A ex-parlamentar afirmou estar ciente das críticas que poderá receber por declarar voto em Lula, inclusive de antigos aliados e pessoas próximas. Segundo ela, a decisão pode provocar afastamentos e prejuízos políticos, mas isso não mudará seu posicionamento.
“Já perdi muito e não tenho medo de perder”, declarou.
Joice ressaltou que votar em Lula não significa aderir ao projeto político do PT. Ela afirmou que pretende voltar a fazer oposição após as eleições, desde que isso ocorra em um ambiente democrático, com respeito às instituições e à liberdade de manifestação.
“Sim, volto à oposição, mas dentro do processo democrático, onde é possível fazer oposição”, concluiu.
Polêmica Paraíba com Brasil 247
https://www.polemicaparaiba.com.br/politica/joice-hasselmann-declara-voto-em-lula-e-diz-que-bolsonaro-representa-ameaca-a-democracia/
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