

É falsa a alegação de que mesários estariam votando em nome de eleitores ausentes após as 17h, principalmente na região Nordeste. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), há mecanismos de identificação e fiscalização que impedem esse tipo de prática. A votação pode se estender após o horário oficial para atender eleitores que ainda estão na fila.
A informação foi divulgada pelo senador eleito Gustavo Gayer (PL-GO) em um canal de WhatsApp de apoio a Flávio Bolsonaro (PL), onde a mensagem foi encaminhada 22 mil vezes. Procurado, o parlamentar não respondeu.
Identificação
A alegação já havia sido desmentida pelo TSE em agosto de 2026. Para liberar a urna eletrônica, o mesário confere um documento oficial com foto, localiza o cadastro eleitoral e verifica a fotografia do eleitor. Em seguida, é feita a identificação biométrica. Se as digitais não forem reconhecidas ou não estiverem cadastradas, o eleitor deve informar o ano de nascimento, que precisa corresponder aos dados da Justiça Eleitoral.
Nesses casos, o eleitor assina o Caderno de Votação, e a urna registra a impressão digital do mesário responsável pela liberação. A última digital apresentada pelo eleitor também fica armazenada no equipamento e é enviada ao TSE, podendo subsidiar investigações. Ocorrências incomuns devem ser registradas na ata da seção eleitoral.
Segundo apuração anterior do Estadão Verifica, casos de votação em nome de terceiros são pontuais e geralmente decorrem de falhas humanas. O Brasil tem 158 milhões de eleitores aptos a votar, dos quais 141 milhões possuem cadastro biométrico, o equivalente a 89% do eleitorado. O advogado especialista em Direito Eleitoral Ricardo Vita Porto também ressaltou que essas ocorrências não se confundem com fraudes no sistema eletrônico de votação.
Eleitores que permanecem na fila às 17h recebem senhas e podem votar após esse horário. Portanto, registros de votação posteriores ao encerramento oficial não constituem, por si só, evidência de fraude.
O TSE prevê ainda que os dois últimos eleitores sejam convidados a acompanhar o encerramento e receber uma cópia do Boletim de Urna (BU), documento que informa a quantidade de votos registrados na seção. Representantes de partidos, federações e coligações também podem fiscalizar o processo eleitoral.
Dados do Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Sul (TRE-RS) mostram que, no primeiro turno, 0,47% dos eleitores votaram após as 17h. Os casos de votação sem reconhecimento biométrico corresponderam a aproximadamente 0,04% do eleitorado, segundo o tribunal.
Fiscalização
A Justiça Eleitoral adota procedimentos de controle antes e depois das eleições. O cadastro eleitoral é atualizado com informações dos cartórios de registro civil, transmitidas pelo Sistema de Informações de Óbitos e Direitos Políticos (Infodip). Quando há tempo hábil, os nomes de pessoas falecidas são retirados das folhas de votação. Caso contrário, podem ser incluídas anotações de impedimento.
Após as eleições, a Resolução TSE nº 23.750/2026 prevê o cruzamento dos registros de comparecimento com os de justificativa de ausência para identificar possíveis irregularidades. A existência dos dois registros para o mesmo turno, porém, não indica necessariamente uma infração: o eleitor pode justificar a ausência por acreditar que não chegará a tempo e, posteriormente, conseguir votar.
Antes do início da votação, a urna emite a zerésima, documento que comprova a ausência de votos registrados e deve ser assinado pelos fiscais e integrantes da seção eleitoral. Ao final, o Boletim de Urna reúne os resultados da votação, que também podem ser consultados pela internet. (Com informações de O Estado de S. Paulo)
https://www.osul.com.br/procedimentos-de-seguranca-impedem-que-mesarios-votem-no-lugar-de-eleitores-ausentes-apos-as-17h/
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