
A derrota de Flávio Bolsonaro (PL) nas eleições presidenciais de 25 de outubro não encerrou a ofensiva da extrema direita contra o povo brasileiro. Derrotado por Luiz Inácio (PT) por mais de 4,4 milhões de votos de diferença, o senador “Rachadinha” recusou-se a reconhecer o resultado e anunciou que pediria a anulação do pleito. Seu irmão, Eduardo “Bananinha” Bolsonaro, lançou um ridículo apelo em inglês para que a comunidade internacional não reconheça a eleição, enquanto os asseclas bolsonaristas discutem os próximos movimentos. No país Estados Unidos (EUA), o governo do canibal Donald Trump mandou suspender a divulgação de um comunicado sobre a vitória petista, segundo revelou o monopólio de imprensa Folha de S.Paulo.
A contestação começou ainda na noite de domingo, quando Flávio grasnou em pronunciamento: “É impossível reconhecer o resultado das eleições no contexto como essas coisas aconteceram”. O pretexto foi a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), de prorrogar o horário de votação até as 19h, medida que havia sido solicitada pelas campanhas dos dois candidatos. “Vamos usar nosso jurídico, vamos pedir a anulação dessas eleições”, anunciou o “02”. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) proclamou a reeleição de Luiz Inácio com 64.256.232 votos (51,79%), contra 59.826.041 (48,21%) de Flávio. A diferença de 4.430.191 votos não foi acompanhada de qualquer prova de fraude apresentada pelo candidato derrotado.
Eduardo Bolsonaro tratou de internacionalizar a ofensiva. Em vídeo divulgado na plataforma X, inteiramente em inglês, o ex-deputado acusou a eleição de fraude e pediu que governos estrangeiros não reconhecessem a vitória de Luiz Inácio. Segundo o Metrópoles e a Folha, o “03” questionou como o petista poderia ampliar sua votação no segundo turno, apresentando os votos obtidos pelos outros candidatos derrotados como se devessem necessariamente migrar para Flávio. O argumento também omite a redução das abstenções, que passaram de aproximadamente 33 milhões para 30, e dos votos brancos e nulos, que caíram de 5,9 milhões para 4,1 milhões. Eduardo também explorou a decisão de Zanin e encerrou sua publicação prometendo em letras garrafais “WE WILL NEVER GIVE UP THE FIGHT” (“Nunca desistiremos da luta”). Na legenda, ameaçou: “This is just the beginning” (“Isso é só o começo”).

Bolsonaristas discutem reação e aguardam Washington
Segundo apuração de Leandro Magalhães, do monopólio SBT News, Flávio e seus aliados abandonaram o acompanhamento da apuração quando cerca de 70% das urnas haviam sido contabilizadas e se reuniram numa sala de uma residência no Lago Sul, em Brasília. Em meio ao desânimo e à frustração, discutiram como reagir à derrota. A responsabilidade pelo resultado foi atribuída, por alguns presentes, aos ministros Kassio Nunes Marques e André Mendonça, indicados por Jair Bolsonaro para o STF. “Nunes Marques deixou ser atropelado pela décima vez pelo STF!”, disparou um ex-ministro do governo Bolsonaro, conforme a reportagem. A orientação defendida por parte dos aliados era iniciar imediatamente uma campanha de críticas à atuação dos magistrados no TSE.
Contudo, já visando as articulações no Congresso, nem todos embarcaram no discurso de fraude. O senador Rogério Marinho (PL-RN) teria se oposto à acusação por reconhecer a ausência de provas, enquanto outros aliados temiam que uma contestação sem fundamento prejudicasse a disputa pelas presidências da Câmara e do Senado em 2027. Flávio também difundiu a alegação de que fiscais do PL haviam sido retirados da sala-cofre do TSE, informação desmentida pela Justiça Eleitoral.
As divergências revelam as pugnas internas sobre a maneira de conduzir a reação, mas não o abandono da ofensiva política. Segundo o SBT News, deputados e senadores bolsonaristas viram na postura de Flávio uma forma de preservar sua liderança sobre a base de apoiadores. É o caso do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), que, depois de publicar a ameaça “Ou a gente ganha, ou a gente ganha. Tá avisado” durante a votação, também passou a questionar o resultado algumas horas depois. “Mudar a regra do jogo no meio dele não é democrático. Que tudo seja esclarecido. Até lá, Lula não é meu presidente”, escreveu no X, endossando as suspeitas sobre a lisura do pleito sem apresentar provas.
No entanto, o principal ponto de expectativa dos bolsonaristas está em Washington. Conforme revelou Patrícia Campos Mello, da Folha de S.Paulo, o Departamento de Estado ianque já havia preparado uma nota sobre a eleição brasileira, mas recebeu orientação para adiar a publicação depois que Flávio anunciou que contestaria o resultado. A embaixada do EUA não informou quando o comunicado seria divulgado. Outra reportagem da Folha, assinada por Isabella Menon, revelou que integrantes do governo Trump procuraram aliados de Flávio para saber se ele reconheceria a derrota. Segundo esses interlocutores, os ianques decidiram aguardar uma definição sobre a postura de Flávio antes de se manifestarem.

A movimentação encontrou eco no entorno do próprio Trump. Conforme noticiou o monopólio CNN Brasil, Jason Miller, conselheiro do mandatário norte-americano, compartilhou em inglês o pronunciamento no qual Flávio anunciava a contestação eleitoral. Donald Trump Jr. também questionou a prorrogação do horário de votação, enquanto Steve Bannon, ex-estrategista da Casa Branca e uma das principais figuras da extrema direita norte-americana, foi ainda além, classificando a eleição brasileira como um “roubo” e exigindo que Trump e o secretário de Estado, Marco Rubio, rompessem relações diplomáticas e comerciais com o Brasil. “Rompam as relações diplomáticas. Interrompam tudo com o Brasil. Nada de comércio, nada”, declarou Bannon em seu programa War Room, segundo a Gazeta do Povo.
Na América Latina, a reação da extrema direita não foi uniforme. Presidentes da direita lacaia de Washington, como José Antonio Kast, do Chile, e Abelardo de la Espriella, da Colômbia, reconheceram a vitória de Luiz Inácio. Já o presidente argentino Javier Milei permaneceu sem felicitá-lo nesta segunda-feira (26/10), enquanto compartilhava publicações críticas ao resultado. Até a publicação dessa matéria, Trump não havia anunciado oficialmente o desconhecimento da eleição brasileira.
A relativa inércia observada nas primeiras horas depois da derrota não significa que os bolsonaristas tenham aceitado o resultado. Flávio promete recorrer ao Judiciário, Eduardo solicita pressão internacional e os principais dirigentes do chamado “campo bolsonarista” procuram preservar sua capacidade de mobilização. A expectativa de uma manifestação de Washington atravessa todas as movimentações. A extrema direita perdeu a disputa presidencial, mas conserva uma imensa parcela de representantes no Congresso, organizações políticas, redes de propaganda e uma base de apoiadores fanatizada que seus dirigentes procuram manter em atividade.
O ambiente de violência política que acompanhou a campanha também não desapareceu com o encerramento da votação. Relatos de agressões, ameaças e intimidações contra adversários políticos, inclusive em ambientes universitários e contra pessoas progressistas, já vinham demonstrando a disposição de setores radicalizados para ultrapassar a disputa eleitoral. A multiplicação de denúncias de violência depois do resultado exige atenção especial, embora a extensão dos episódios e a existência de coordenação entre eles ainda precisem ser apuradas. A continuidade das acusações de fraude, mesmo sem provas, pode alimentar novas ações desses indivíduos e grupos, sobretudo se as lideranças persistirem na agitação das bases ou se omitirem diante das radicalização ultrarreacionária. O silêncio de Washington acrescenta o fator de incerteza à toda situação.
Uma eventual contestação do resultado eleitoral por Washington poderia ampliar consideravelmente a pressão sobre o quarto governo de Luiz Inácio. As sanções econômicas, ameaças e interferências diplomáticas promovidas por Trump contra o Brasil demonstram que o governo ianque já vinha utilizando diferentes instrumentos para pressionar o País. Nesse contexto, o questionamento da eleição abriria uma nova frente de desgaste político, capaz de favorecer tanto a exigência de concessões econômicas e políticas quanto iniciativas destinadas a forçar uma mudança na situação nacional.

Luiz Inácio promete mais conciliação
Enquanto a extrema direita procura respaldo no exterior, Luiz Inácio insiste na negociação com o mesmo governo que vem jogando contra o Brasil. Depois de sanções econômicas e medidas de ingerência ianques, o governo petista ainda quer manter aberta a interlocução com Washington. Segundo a Folha, o chanceler Mauro Vieira deverá viajar ao país Estados Unidos (EUA) nesta semana para a reunião de ministros das Relações Exteriores do G20, em Atlanta, onde está previsto um encontro com o secretário de Estado ianque, o celerado Marco Rubio. A disposição para “negociar” persiste justamente quando a Casa Branca retém seu reconhecimento diplomático do resultado eleitoral brasileiro.
A política de conciliação abre espaço para que o imperialismo ianque transforme suas pressões em instrumento de barganha. O perigo não se limita à contestação das urnas, envolve também a possibilidade de mais concessões sobre as riquezas nacionais, setores estratégicos e políticas econômicas que Washington pretende influenciar.
Mesmo sem uma decisão anunciada de desconhecer a eleição, o governo Trump dispõe de mecanismos de pressão e chantagem sobre o Brasil. A disposição de Luiz Inácio para negociar nessas condições humilhantes expõe o risco de que o abrandamento das ameaças seja obtido mediante concessões que realizem, por outros caminhos, parte considerável dos objetivos de submissão nacional defendidos pela extrema direita.
ACERCA DEL CORRESPONSAL
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