
Milhares de estudantes e outros manifestantes voltaram às ruas de Tirana, capital da Albânia, em 24 de outubro, no 12º dia da atual sequência de protestos contra a carestia, as condições do ensino e o governo de Edi Rama. Diante de um dispositivo de cerca de 2,5 mil policiais, a juventude enfrentou as tropas de repressão nas proximidades do Parlamento e do Ministério da Educação. Grupos marcharam também até a sede do governo, onde ocorreram novos confrontos, conforme a radiotelevisão pública albanesa (RTSH). A nova jornada foi registrada ainda pelo monopólio de imprensa Euronews e pelo Partizan Greece.
Os manifestantes responderam aos ataques de gás lacrimogêneo, canhões d’água e balas de borracha com pedras e fogos de artifício. Diante do Ministério da Educação, houve lançamento de latões em chamas contra o prédio. Vídeos divulgados pelo Partizan Greece registram os confrontos no dia 24; outros mostram a continuidade da mobilização diante do Parlamento durante a noite.
No decorrer da jornada de 24 de outubro, a manifestação alcançou a Praça Skanderbeg e a sede do governo, na avenida Dëshmorët e Kombit. Houve novos confrontos com a polícia, que empregou canhões d’água e gás lacrimogêneo para dispersar os participantes, conforme a RTSH. A concentração ocorreu diante do edifício onde Rama trabalha, não de sua residência particular.
No dia seguinte, 25 de outubro, já na 13ª jornada de rebelião, manifestantes voltaram à sede do governo depois de se concentrarem diante do Ministério da Educação. Eles retiraram, quebraram e incendiaram cadeiras colocadas por Rama como convite ao “diálogo”, segundo a Euronews Albania e a Reuters. A polícia acompanhou a ação; a cobertura local não registrava novos confrontos naquele momento.
O chamado nacional levou pessoas de diferentes partes do país à capital. Professores universitários, artistas e outros setores declararam apoio à jornada, enquanto o Estado intensificou os controles sobre os veículos que se dirigiam a Tirana. As reivindicações estudantis incluem a redução dos custos do ensino, mais recursos públicos e melhores condições nas universidades e nos alojamentos, conforme a cobertura da Euronews.
Revolta contra a entrega do país alcança o sistema político
A palavra de ordem “A Albânia não está à venda!” acompanha uma luta que se desenvolve desde os protestos contra o empreendimento turístico de luxo ligado a Jared Kushner, genro de Donald Trump, no litoral albanês. À denúncia da entrega de áreas protegidas somaram-se a carestia, os custos da educação e a falta de perspectivas de trabalho para a juventude. A rebelião estudantil iniciada em 13 de outubro ampliou essa contestação e colocou a renúncia de Rama no centro das ruas.
Em 24 de outubro, a revolta voltou a atingir também a oposição oficial. Manifestantes gritavam pela prisão tanto de Rama quanto de Sali Berisha, dirigente da oposição de direita. Cartazes responsabilizavam os dois campos da política oficial pela situação do país, segundo a Euronews. A presença de apoiadores da oposição nos atos não elimina essa rejeição que se expressa entre os manifestantes.
O descrédito dos partidos oficiais já aparecia na pesquisa WeBalkans de 2026, realizada com 1.040 moradores de 15 anos ou mais, entre o fim de janeiro e o início de março. No levantamento, 77% declararam tender a não confiar nos partidos políticos oficiais e 67,5%, no sistema eleitoral. Os dados ajudam a dimensionar a insatisfação que ultrapassa a troca de um governo por outro.
Ensino precário recebe repressão; policiais recebem bônus
A jornada de 24 dá continuidade a uma rebelião que já forçou o cancelamento de sessão do Parlamento e atingiu ministérios e bancos. A participação de docentes ampliou a luta dos secundaristas e universitários. Professores marcharam pela saída de Rama e contra a violência policial, e redes de solidariedade passaram a oferecer alimentos, materiais e atendimento aos feridos.
Enquanto os estudantes exigem condições dignas para estudar e viver, Rama anunciou um bônus de 2,5 mil euros aos policiais da linha de frente da repressão e prometeu aumentos salariais para 2027. Aos manifestantes, reservou ameaças de perda de bolsas e exclusão do ensino gratuito.
Rama também voltou a responsabilizar supostos atores estrangeiros pela revolta e a defender uma resposta prolongada do Estado. Em vez de encerrar os protestos, o dispositivo policial encontrou novamente milhares nas ruas em 24 de outubro, como mostram os registros da noite de enfrentamentos divulgados pelo Partizan Greece.

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