
A alta dos juros favorece os investimentos pós-fixados, enquanto a queda das ações abre oportunidades para quem aceita riscos e pode esperar pela recuperação, avaliou Fernanda Rocha, notável do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC nesta segunda-feira (26). Ela analisou a volatilidade dos mercados após a eleição presidencial e a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva.
Segundo Fernanda, parte dos investidores havia se posicionado na expectativa de uma vitória de Flávio Bolsonaro, associada à possibilidade de mudanças na condução das contas públicas. “O mercado estava sedento por uma esperança de uma melhor trajetória da dívida, uma ancoragem dessas incertezas”, afirmou.
A assessora explicou que a preocupação central está na continuidade da política de gastos e na trajetória do endividamento. Na avaliação dela, a percepção de maior risco do país também pesa sobre a decisão de investidores estrangeiros de direcionar recursos ao Brasil.
Dólar mais caro e risco de inflação
A desvalorização do real é outro foco de atenção. Fernanda citou fertilizantes, petróleo, trigo e insumos químicos como exemplos de produtos com preços influenciados pelo dólar. “Então, esse custo é repassado para o consumidor diretamente”, disse.
Ela ponderou que a oscilação de um único pregão não determina a inflação futura. “Óbvio que essa alta de hoje não, mas uma alta contínua e se isso permanecer nesse patamar daí para cima, sim, vamos ver uma inflação sendo impactada fortemente pelo dólar”, afirmou.
A elevação do risco também encarece a entrada de capital externo, argumentou Fernanda. Para ela, o país precisa ampliar a produtividade e criar condições para que empresas e empreendedores invistam, gerando empregos e aumentando a oferta de produtos.
Pós-fixados e compras graduais na Bolsa
Na comparação entre aplicações, Fernanda destacou a vantagem dos papéis atrelados aos juros de curto prazo. “Infelizmente, hoje, olhando, realmente o pós-fixado é o único ativo que ganha nesse cenário”, disse. Ela acrescentou que prefixados, títulos indexados ao IPCA, ações e fundos imobiliários sofrem com a alta das taxas.
Empresas mais endividadas tendem a sentir com maior intensidade o custo financeiro, enquanto exportadoras podem se beneficiar do dólar valorizado. Fernanda citou Suzano, WEG e Vale entre as companhias com características favoráveis nesse ambiente.
Para o investidor experiente, com perfil arrojado e horizonte de longo prazo, a queda das cotações pode representar uma oportunidade, desde que os aportes sejam graduais. “Não entrar tudo de uma vez, porque a gente não sabe aonde que fica esse fundo do poço”, recomendou. Como exemplo de preço que considera atrativo, citou ações do Bradesco a R$ 15, ressalvando que a recuperação pode levar tempo.
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