
247 – Mais de 3 mil palestinos foram obrigados a abandonar suas casas em Hebron, na Cisjordânia ocupada, durante uma operação militar israelense marcada por demolições, prisões e restrições à circulação.
Segundo reportagem da teleSUR publicada na segunda-feira (26), dados atualizados da prefeitura apontam 3.189 deslocados, pertencentes a aproximadamente 488 famílias, principalmente dos bairros de Deir Bahha e Al Jalda.
Entre os moradores que tiveram de sair estão mais de 200 crianças com menos de dois anos e cerca de 250 pessoas com mais de 60 anos, informa a emissora. Outras centenas de pessoas permaneciam confinadas em suas residências, impedidas de circular pelo avanço das tropas. Pelo menos 70 palestinos haviam sido presos.
A operação começou após a morte de dois soldados israelenses perto de um posto de controle na sexta-feira anterior. De acordo com a teleSUR, organizações não governamentais classificaram as medidas impostas à população civil como “punição coletiva”. A reportagem não identifica nominalmente as entidades responsáveis por essa avaliação.
O deslocamento das famílias levou as autoridades municipais a declarar estado de emergência. Uma equipe de crise formada por representantes do poder público e moradores organizou abrigos e acomodações temporárias. Parte dos desabrigados foi recebida por outras famílias da cidade, que abriram suas casas.
Relatos reunidos por veículos internacionais e reproduzidos pela teleSUR descrevem moradores que fugiram apenas com as roupas que vestiam. Sem autorização para retornar, essas pessoas não conseguiam recuperar documentos, proteger seus pertences ou verificar as condições dos imóveis abandonados.
As restrições à circulação também dificultavam o acesso a suprimentos básicos. A continuidade das ações militares agravava a situação tanto das famílias deslocadas quanto dos moradores que permaneciam nas áreas cercadas.
A ofensiva inclui a demolição de edifícios residenciais e de quarteirões inteiros, segundo a reportagem. O Exército israelense sustenta que as estruturas foram erguidas em desacordo com a legislação e afirma ter destruído “infraestruturas construídas em violação da lei”.
Fontes locais e a agência palestina Wafa, citadas pela teleSUR, contestam essa justificativa e denunciam que as demolições integram uma política de punição indiscriminada dos moradores. O material fornecido não apresenta um balanço consolidado dos imóveis destruídos.
No plano político e militar, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, defendeu a continuidade das operações. Segundo a emissora, ele afirmou que o Exército se preparava para uma atuação de dimensão sem precedentes desde a Guerra dos Seis Dias, em 1967.
A condução da ofensiva também teria provocado divergências na cúpula israelense. Informações do veículo israelense Ynet, reproduzidas pela teleSUR, apontam desacordos entre Netanyahu e o chefe do Estado–Maior, Eyal Zamir. O militar teria defendido o encerramento da operação diante dos resultados táticos limitados e da pequena quantidade de armas encontrada.
O Hamas também condenou o cerco. Mahmoud Mardawi, dirigente do movimento, atribuiu a ofensiva a interesses eleitorais e de propaganda do governo Netanyahu. Segundo o relato da teleSUR, ele associou as ações a planos de anexação territorial e deslocamento em massa da população palestina.
As denúncias envolvem condutas reguladas pela Quarta Convenção de Genebra, que estabelece a proteção de civis em situações de guerra e ocupação. O artigo 33 proíbe punições coletivas e determina que uma pessoa protegida não pode ser castigada por uma infração que não tenha cometido pessoalmente. Também veda medidas de intimidação e represálias contra essas pessoas e seus bens.
O tratado também restringe transferências forçadas e destruições de propriedades em territórios ocupados. O artigo 49 admite evacuações temporárias quando exigidas pela segurança da população ou por razões militares imperativas, com retorno após o fim das hostilidades na área. Já o artigo 53 proíbe a destruição de bens, exceto quando absolutamente necessária às operações militares. A aplicação dessas exceções exige avaliar as circunstâncias concretas de cada ação.
Na atualização municipal reproduzida pela teleSUR, o total de deslocados passou de um balanço inicial de 3.170 para 3.189 pessoas. As famílias retiradas de suas casas dependiam de acolhimento emergencial, enquanto a permanência das tropas e as restrições de circulação dificultavam o retorno aos bairros atingidos.
https://www.brasil247.com/mundo/ofensiva-israelense-forca-mais-de-3-mil-palestinos-a-deixar-hebron/
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