
A Frente Anti-imperialista do país Estados Unidos (EUA) realizou seu Congresso Fundacional, aprovando um manifesto e resoluções políticas destinadas a unificar e ampliar a atuação das organizações anti-imperialistas no interior da superpotência hegemônica única ianque. Segundo balanço publicado pela organização em 25 de outubro e reproduzido por O Arauto Vermelho no dia 28, o congresso estabeleceu como tarefas centrais aprofundar o trabalho político nos bairros operários, escolas e locais de trabalho, fortalecer a unidade das forças revolucionárias e desenvolver a solidariedade internacional aos povos que combatem o imperialismo em todo o mundo.
Realizado ao longo de dois dias, o encontro culminou um processo de articulação desenvolvido durante mais de um ano por meio de campanhas nacionais, atividades de formação política e ações de solidariedade internacional. Sua principal palavra de ordem foi “Anti-imperialistas do mundo, uni-vos!”, numa referência à tarefa de constituir uma frente capaz de organizar a oposição ao imperialismo ianque dentro de suas próprias fronteiras.

Congresso aprova manifesto e define tarefas entre as massas
O primeiro dia começou com uma saudação do Comitê Coordenador da Frente, seguida da apresentação de um balanço do trabalho de construção da organização e de um relatório político sobre o desenvolvimento do imperialismo e a história da luta anti-imperialista internacional. Os delegados debateram a situação mundial e as responsabilidades particulares dos revolucionários que atuam dentro do EUA.
As discussões resultaram na aprovação, por votação, dos documentos fundacionais, incluindo o Manifesto da Frente Anti-imperialista. Os textos foram examinados em grupos de discussão, nos quais os participantes apresentaram divergências e propostas destinadas a aprofundar a unidade política e ideológica da organização.
No segundo dia, os debates concentraram-se nas resoluções que orientarão o trabalho da Frente. O congresso estabeleceu a necessidade de unir as forças dispostas a combater o imperialismo ianque, ao mesmo tempo que apontou o oportunismo como principal perigo interno ao movimento anti-imperialista. Segundo o balanço, a luta contra essa tendência deve desenvolver-se mediante maior inserção entre as camadas mais exploradas e oprimidas das massas.
As resoluções também determinaram ampliar o trabalho nos bairros, escolas e locais de trabalho, relacionando as reivindicações imediatas dos trabalhadores à luta política contra o imperialismo. A Frente considera que a consolidação de uma organização de caráter proletário exige transformar as campanhas de solidariedade e as mobilizações pontuais em trabalho político contínuo.

Juventude revolucionária amplia mobilizações pela Palestina
A fundação da Frente ocorre em meio à intensificação das mobilizações da juventude revolucionária estadunidense, particularmente em solidariedade à Resistência Nacional Palestina e contra a repressão estatal.
Em 7 de outubro,secundaristas, universitários e jovens trabalhadores realizaram manifestações em sete cidades de três estados: Seattle, Bellevue, Tacoma e Bellingham, em Washington; Los Angeles e Oakland, na Califórnia; e West Lafayette, em Indiana. No estado de Washington, centenas de estudantes de 24 instituições de ensino participaram de paralisações, marchas e saídas coletivas das aulas.
As mobilizações denunciaram o financiamento da guerra contra o povo palestino pelo governo ianque, os vínculos das universidades com fabricantes de armamentos e a repressão contra estudantes organizados. Em Seattle, jovens revolucionários marcharam pelas ruas e convocaram reuniões para dar continuidade à organização nas escolas. Em Bellevue, estudantes denunciaram agressões policiais durante as manifestações. Na Califórnia, as ações também envolveram secundaristas e organizações revolucionárias de Los Angeles e Oakland.
A articulação juvenil já havia se manifestado em agosto, quando estudantes secundaristas, universitários e jovens operários participaram de um acampamento anti-imperialista no Noroeste do Pacífico. O encontro combinou estudos sobre processos revolucionários internacionais, debates políticos, atividades coletivas e solidariedade à Revolução Indiana e às forças da Resistência no Oriente Médio.
A repercussão dessas iniciativas provocou uma campanha de criminalização por parte de setores da imprensa e de organizações ligadas ao lobby sionista. Em outubro, o New York Post apresentou o acampamento, cujas atividades haviam sido divulgadas publicamente em agosto, como uma descoberta sobre supostas atividades terroristas. O Instituto de Valores da América do Norte (NAVI) também denunciou a expansão das organizações juvenis e suas relações com a Frente Anti-imperialista e a Liga Anti-imperialista Internacional (LAI).
O Congresso Fundacional recebeu saudações da Organização da Juventude Revolucionária (Revolutionary Youth Organization) e do Comitê de Defesa do Povo (People’s Defense Committee), organizações que destacaram a importância de unificar a luta política no interior do país. A presença dessas manifestações no congresso expressa o esforço de articulação entre diferentes setores do movimento revolucionário, sem eliminar a identidade própria de cada organização.

Solidariedade à Revolução Indiana e à Resistência no Oriente Médio
A solidariedade internacional ocupou parte importante das discussões. A Frente destacou as campanhas desenvolvidas em apoio à Resistência Nacional Palestina, ao Eixo da Resistência no Oriente Médio e à Guerra Popular dirigida pelo Partido Comunista da Índia (Maoista).
O Comitê Coordenador apresentou o fortalecimento da solidariedade à Revolução Indiana e às forças da Resistência no Oriente Médio como duas tarefas fundamentais do movimento anti-imperialista no EUA. A organização também recordou sua participação nas manifestações do terceiro aniversário do Dilúvio de Al-Aqsa, em 7 de outubro, e nas campanhas de apoio à luta contra a repressão desencadeada pelo velho Estado indiano.
O congresso recebeu saudações internacionais da revista indiana Nazariya e da Frente Estudantil Revolucionária de Bengala Ocidental (Revolutionary Students’ Front, RSF). As organizações ressaltaram a importância de desenvolver a luta anti-imperialista entre os operários, estudantes, jovens e nacionalidades oprimidas no interior do EUA, conservando uma linha política independente das tendências oportunistas.
A reunião também aprovou uma manifestação de solidariedade à Rede de Ação pela Palestina (Palestine Action Network), ao Movimento Caminho Revolucionário Alternativo Palestino (Masar Badil) e ao coletivo Autistici/Inventati, alvos de medidas punitivas do Departamento de Estado ianque, conforme denunciou a Frente. A organização vinculou essas medidas à tentativa de intimidar os movimentos que se solidarizam com a luta palestina.

Homenagens aos revolucionários e atividades culturais encerram encontro
O segundo dia começou com uma homenagem aos 19 mortos em operações militares na ilha de Negros, nas Filipinas, em 19 de abril, incluindo dois ativistas filipino-estadunidenses. O congresso recordou particularmente Lyle Prijoles, militante de direitos humanos da região da Baía de São Francisco, cuja trajetória foi apresentada por uma pessoa próxima a ele.
Um ativista da região de Seattle também homenageou Kai Sorem, organizador da juventude revolucionária estadunidense, destacando sua contribuição para o trabalho político nas comunidades onde atuava.
As atividades foram encerradas com apresentações culturais e palavras de ordem. Entre elas esteve uma dança indiana ao som da canção revolucionária em télugo Erra Jenda — Bandeira Vermelha —, dedicada à memória dos revolucionários mortos na Índia. A apresentação terminou com saudações aos militantes Basavaraju, Renuka e Hidma, homenageados pela organização.

O congresso ocorreu meses depois da fundação da Liga Anti-imperialista Internacional, realizada na Colômbia em abril de 2026, processo que a Frente estadunidense aponta como uma referência para sua própria construção. A organização afirma que pretende contribuir para a unidade internacional dos movimentos anti-imperialistas a partir do desenvolvimento da luta de classes dentro do EUA.
Ao concluir seu balanço, a Frente reconheceu que a construção de um movimento anti-imperialista nacional não poderá depender exclusivamente de sua própria atuação e reafirmou a necessidade de unir as diferentes forças revolucionárias e populares.
O documento encerra com as palavras de ordem: “O imperialismo e toda a reação são tigres de papel!”, “Rebelar-se é justo!” e “Anti-imperialistas do mundo, uni-vos!”.

ACERCA DEL CORRESPONSAL
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