
A Liga Anti-imperialista Internacional (LAI) convocou uma campanha mundial, de 26 a 30 de outubro, contra as prisões, torturas e desaparecimentos de lutadores populares no Equador, sob o governo de Daniel Noboa. A declaração, publicada no portal da LAI neste dia 28 e divulgada pela seção colombiana da organização, denuncia particularmente as agressões contra Omar Campoverde, preso na penitenciária de segurança máxima El Encuentro, e exige sua libertação, assim como a de Gabriela Gallardo e Carlos Carguachi.
O chamado dirige-se às organizações revolucionárias e progressistas e aos defensores dos direitos humanos e dos direitos do povo, convocados a desenvolver uma ampla campanha de denúncia e condenação à perseguição política no país. A LAI conclama a comunidade internacional a combater o encarceramento dos que se opõem ao regime de Noboa, em meio ao aprofundamento da militarização e da cooperação repressiva com o imperialismo ianque.
Torturas e violência sexual contra presos políticos
A declaração concentra suas denúncias nas condições de encarceramento de Omar Campoverde, dirigente popular vinculado ao Movimento Guevarista Terra e Liberdade, que relatou ter sofrido torturas físicas, agressões sexuais e ameaças de militares no interior da prisão El Encuentro, na província de Santa Elena.
“Denunciemos perante o país e o mundo as cruéis torturas, agressões sexuais, humilhações, isolamento e tratamentos degradantes aos quais foi submetido o companheiro Omar Campoverde”, afirma a declaração, que caracteriza a penitenciária como um “verdadeiro campo de concentração”.
As acusações não são recentes. Em 22 de maio, Campoverde denunciou, durante uma audiência judicial, agressões sexuais e torturas praticadas por agentes estatais. Seus advogados e familiares apresentaram denúncias à Procuradoria–Geral do Equador e exigiram uma investigação independente. Em 29 de maio, organizações de direitos humanos realizaram uma coletiva de imprensa para denunciar os abusos, as restrições de comunicação e o isolamento imposto aos detentos.
Segundo a LAI, o governo equatoriano fortaleceu o aparato penitenciário com a construção de El Encuentro, apresentada oficialmente como estabelecimento destinado a criminosos de alta periculosidade, mas que também passou a receber opositores e dirigentes populares.
“Os presos e prisioneiros políticos estão totalmente isolados, permanecem em confinamento permanente, com apenas 30 minutos de exposição ao sol ou fora de suas celas, e não têm contato com familiares ou advogados”, denuncia a organização.
O comunicado acrescenta que os detentos são submetidos a torturas físicas e psicológicas e privados de direitos elementares. Denúncias semelhantes foram apresentadas por familiares e advogados de outros encarcerados, incluindo relatos de falta de alimentos, atendimento médico, água e acesso regular à defesa jurídica.
A Liga exige ainda a libertação de Gabriela Gallardo e Carlos Carguachi, também encarcerados em processos contestados por organizações populares. Segundo a declaração, o governo busca “dobrar seu espírito de luta e enviar uma mensagem de intimidação aos lutadores populares do Equador”.

LAI denuncia militarização e ingerência imperialista
A campanha também denuncia a ampliação da intervenção militar ianque no Equador e sua relação com a repressão interna. Em novembro de 2025, 60,82% dos eleitores rejeitaram, em referendo, a proposta de revogar a proibição constitucional de bases militares estrangeiras. Apesar da derrota da iniciativa de Noboa, em março de 2026, o Comando Sul dos EUA anunciou o início de operações militares conjuntas com as Forças Armadas equatorianas, sob o pretexto de combater o chamado “narcoterrorismo”.
Para a LAI, a militarização está associada à perseguição de organizações camponesas, sindicais, indígenas e de defesa dos direitos do povo. A declaração também acusa organismos de inteligência israelenses, incluindo o Mossad, de atuar em colaboração com a CIA na estrutura de vigilância e repressão do país, acusação cuja extensão não foi comprovada independentemente.
A Liga sustenta que o governo utiliza o aparato judicial para criminalizar a organização popular, atribuindo aos seus opositores delitos como tráfico de drogas, extorsão, sequestro e terrorismo. O objetivo, segundo o documento, seria “neutralizá-los pela via legal e desacreditar perante a opinião pública as causas políticas e ideológicas que defendem”.
A organização relaciona a ofensiva repressiva ao agravamento das condições de vida das massas equatorianas, marcado pelo desemprego, carestia, deterioração da saúde pública e expulsão de famílias camponesas de suas terras. Também exige respostas sobre o desaparecimento de aproximadamente mil pessoas, número apresentado na declaração como parte das denúncias contra os aparatos estatais.
Ao denunciar a violência estatal, o comunicado recorda o caso dos quatro meninos de Las Malvinas, vítimas de desaparecimento forçado após uma operação militar em Guayaquil, e exige responsabilização pelos crimes cometidos contra a população.

Campanha internacional prossegue até 30 de outubro
A convocação da LAI ocorre enquanto organizações populares e de direitos humanos continuam denunciando o encarceramento de opositores, a militarização da segurança pública e as condições de reclusão nas penitenciárias equatorianas.
Em sua declaração, a organização convoca uma “campanha internacional massiva de denúncia, repúdio e condenação ao encarceramento e à perseguição de lutadores populares e de todos aqueles que se opõem a este regime repressivo”.
O documento encerra com as exigências de fim das torturas contra Omar Campoverde, libertação imediata de Omar, Gabriela, Carlos e dos demais revolucionários presos no Equador, além do fim da perseguição e da judicialização dos lutadores populares.

ACERCA DEL CORRESPONSAL
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