
247 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) disputam, na reta final do segundo turno, os eleitores que escolheram outros candidatos, votaram em branco, anularam ou não compareceram à primeira votação.
Segundo reportagem do jornal O Globo, uma pesquisa Quaest mostra que os apoios anunciados por candidatos derrotados não se traduzem em transferência automática de votos para o próximo domingo, 25 de outubro.
Contratado pelo GLOBO e pela TV Globo, o levantamento divulgado na semana passada registrou 46% das intenções de voto para Flávio e 44% para Lula, resultado que configura empate técnico na margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Outros 9% afirmaram que votarão em branco, anularão ou não irão às urnas, enquanto 1% declarou indecisão.
Os recortes da pesquisa revelam comportamentos distintos entre os eleitores dos candidatos eliminados. Mesmo com o apoio de Augusto Cury (Avante) e Ronaldo Caiado (PSD) ao senador, parte de seus eleitores pretende votar no presidente, enquanto outra parcela indica que não escolherá nenhum dos finalistas.
Entre os entrevistados que disseram ter votado em Cury, terceiro colocado no primeiro turno, 34% declararam intenção de apoiar Lula e 30% escolheram Flávio. Outros 30% responderam que votarão em branco, anularão ou não comparecerão, e 6% permaneceram indecisos. Nesse grupo, portanto, as escolhas se distribuem entre os dois concorrentes e a opção de não dar um voto válido.
No eleitorado de Caiado, 42% apontaram preferência por Flávio, enquanto 23% disseram que votarão em Lula. A parcela que pretende votar em branco, anular ou se abster chegou a 33%, mostrando que o endosso do candidato derrotado também não alcançou todos os seus apoiadores.
Já entre os eleitores de Renan Santos (Missão), que manteve neutralidade no segundo turno, a maior parcela declarou que não pretende escolher nenhum dos dois candidatos: 43% indicaram voto em branco, nulo ou abstenção. Flávio foi citado por 40% desse grupo, e Lula, por 14%.
Outro segmento observado pelas campanhas reúne quem não compareceu ao primeiro turno ou votou em branco ou nulo. Esse contingente corresponde a pouco mais de um quarto do eleitorado, de acordo com a reportagem. Entre esses entrevistados, Lula registrou 43% das intenções de voto, e Flávio, 38%.
A campanha de Lula trata a mobilização desse público como uma frente estratégica e direciona propagandas e ações de apoiadores para estimular o comparecimento. Na avaliação do diretor da Quaest, Felipe Nunes, reduzir a abstenção em relação à primeira votação é essencial para Lula, embora essa medida, isoladamente, não seja suficiente.
“Dos 7% de eleitores que acabaram votando em alternativas à polarização, a maior parte está optando por Flávio no segundo turno. A exceção é o eleitorado de Cury, que se divide. Mas o que está fazendo a diferença para essa disputa tão acirrada é o eleitor que disse que se absteve ou que votou branco/nulo no primeiro turno”, afirmou Nunes à TV Globo na semana passada.
A diferença numérica de dois pontos entre os finalistas também apareceu no resultado do primeiro turno, realizado em 4 de outubro, quando Flávio recebeu 47% dos votos válidos e Lula, 45%. Os percentuais das urnas, calculados sem brancos e nulos, têm base diferente das intenções totais de voto apresentadas na pesquisa.
https://www.brasil247.com/brasil/votos-da-terceira-via-e-abstencao-entram-no-foco-da-disputa-entre-lula-e-flavio/
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