
Por Mario Vitor Santos – Luciano Huck, apresentador mais popular da TV brasileira, recebeu recursos do governo Trump para atuar na eleição presidencial, segundo documentos obtidos pelo Payday Report e publicados em ontem. A RenovaBR, grupo político que Huck lidera publicamente, teve financiamento e treinamento do governo estadunidense, que levou o diretor executivo da organização, Rodrigo Matsumoto Cobra, a Washington.
Cobra foi convidado pelo Consulado dos EUA em São Paulo para o Programa de Liderança de Visitantes Internacionais (IVLP), do Departamento de Estado, em viagem com todas as despesas pagas em julho. Ele confirmou a participação em uma postagem no LinkedIn.
O programa, chamado “Liberdade 250: Juventude no Processo Político”, teve maioria de convidados da direita internacional. Segundo os documentos, tratou de gestão de campanhas, monitoramento eleitoral, apuração de votos e procedimentos de segurança.
Depois da viagem, Cobra disse ter iniciado conversas com o IVLP e o consulado sobre uma iniciativa para líderes políticos brasileiros. Não está claro o que essas parcerias envolvem, nem quanto dinheiro do Departamento de Estado é destinado a elas ou chega a Huck.
Huck e a RenovaBR
Huck apresenta o Domingão com Huck, da Globo, que reúne mais de 30 milhões de espectadores por semana. Há quase uma década, é a cara pública da RenovaBR, que recruta, treina e financia candidatos de direita. Neste ano, a organização alega ter elegido 47 candidatos.
No fim de setembro, Huck lançou no programa o aplicativo “Tenho Meu Voto”, patrocinado pela RenovaBR. A deputada Fernanda Melchionna (PSOL) disse que o site foi manipulado e indicava praticamente só candidatos de direita.
Os criadores culparam a inteligência artificial e suspenderam a ferramenta. O Ministério Público do Rio Grande do Sul investiga Huck e a Globo por violação da legislação eleitoral.
Em maio, a Enter, startup de IA jurídica de Huck, recebeu aporte de US$ 100 milhões de Peter Thiel, cofundador da Palantir e aliado de Trump. Huck também é questionado por seus laços com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, cujo colapso no ano passado foi o maior da história bancária brasileira. Há informação, duvidosa, de que a Globo avalia tirá-lo do ar.
O governo Lula acusa a Embaixada em Brasília e o consulado em São Paulo de interferência eleitoral e negou vistos a integrantes do governo Trump. Dois dias antes do primeiro turno, Washington anunciou o fechamento da embaixada e de consulados, alegando segurança. A Polícia Federal disse não haver ameaça concreta.
Em setembro, o The Guardian revelou que US$ 1 milhão do Departamento de Estado foi desviado para um programa contra a suposta “perseguição judicial e censura” no Brasil. O alvo são os ministros do Supremo que condenaram Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado.
Trump também tentou impor tarifas ao Brasil em retaliação à condenação, e Brad Parscale, ex-diretor digital de Trump, assessora a campanha bolsonarista. Uma fonte da PF ouvida pela Revista Fórum descreveu o cenário como guerra híbrida, com operação psicológica para inclinar a balança a favor de um candidato.
O Consulado dos EUA, Huck e a Globo não responderam até a publicação da reportagem.
A interferência junta-se à intervenção da Meta cujos algoritmos trabalharam em benefício de Flavio Bolsonaro.
https://www.brasil247.com/blog/luciano-huck-recebeu-recursos-do-governo-trump-para-interferir-na-eleicao-brasileira/
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