
247 – O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, chegou por volta das 8h desta quinta-feira (22) ao condomínio onde está o ex-presidente Jair Bolsonaro, em Brasília, para uma última visita ao pai antes do segundo turno das eleições presidenciais. O encontro acontece na véspera do debate com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), marcado para sexta-feira (23), na TV Globo, e em meio a ajustes na estratégia da campanha bolsonarista.
Esta é a terceira visita de Flávio ao pai desde o encerramento de um período de 90 dias sem encontros, determinado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Como advogado constituído no processo do ex-presidente, o senador tem autorização para visitá-lo diariamente por até 30 minutos.
A reunião ocorre em um momento decisivo da corrida presidencial, a três dias da votação de domingo (25). Flávio busca definir sua postura para o último confronto direto com Lula, enquanto integrantes de sua campanha avaliam mudanças na preparação do candidato após o desempenho no debate realizado pela Band.
Jair Bolsonaro está preso após condenação pelo STF por sua participação na trama golpista destinada a impedir a posse de Lula depois das eleições de 2022. Embora esteja submetido a restrições judiciais que proíbem atividades político-eleitorais, o ex-presidente continua sendo uma referência para o filho, que já admitiu ter recebido orientações paternas em encontros anteriores.
Até o momento, não foram divulgadas informações sobre os assuntos tratados na visita desta quinta-feira.
Campanha de Flávio muda estratégia para debate com Lula
A preparação de Flávio Bolsonaro para o debate da Globo passou por alterações depois de avaliações internas sobre sua participação no confronto promovido pela Band. A campanha decidiu afastar o influenciador Pablo Marçal da preparação e ampliar o envolvimento do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
A mudança busca fazer com que o senador apresente uma postura menos agressiva diante de Lula, responda de maneira mais direta aos questionamentos e dedique maior espaço à exposição de propostas.
No debate anterior, Flávio concentrou parte de suas intervenções em críticas à política de segurança pública do governo federal e em suspeitas envolvendo pessoas próximas ao presidente, incluindo Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha.
A avaliação de integrantes da campanha, segundo a reportagem, é que o candidato precisa encontrar um equilíbrio entre os ataques ao adversário e a apresentação de medidas concretas para um eventual governo.
A preocupação também ocorre após a repercussão das declarações da coordenadora econômica da campanha, Daniella Marques, sobre o Bolsa Família. O episódio aumentou a atenção dos aliados para a necessidade de esclarecer as posições do candidato sobre políticas sociais e econômicas.
Nesse cenário, o debate de sexta-feira é considerado uma oportunidade para Flávio tentar ajustar sua comunicação com o eleitorado antes da votação.
Conversas anteriores abordaram segurança pública e jornada de trabalho
Nos encontros anteriores, Flávio e Jair Bolsonaro discutiram assuntos relacionados à campanha presidencial, incluindo o cenário eleitoral, a segurança pública, o custo de vida e suspeitas envolvendo Lulinha.
Outro tema abordado foi a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1. Antes da votação da proposta no Senado, o candidato conversou com o pai sobre a mudança, em meio às preocupações de setores empresariais com os possíveis impactos econômicos e ao risco de desgaste eleitoral provocado por uma posição contrária à medida.
Flávio acabou votando favoravelmente ao texto aprovado pelo Senado na semana passada, mas manteve ressalvas sobre eventuais consequências para empresas e postos de trabalho.
A discussão sobre a jornada ganhou importância na disputa presidencial por envolver diretamente as condições de trabalho e a qualidade de vida dos brasileiros.
Bolsonaro e Flávio também discutiram eventual composição de governo
Além dos temas eleitorais, pai e filho conversaram sobre a formação de um eventual governo de Flávio Bolsonaro. Um dos pontos discutidos foi a necessidade de evitar definições antecipadas sobre cargos ministeriais e sobre as disputas pelas presidências da Câmara dos Deputados e do Senado.
A preocupação ocorre em um momento em que diferentes grupos políticos aliados ao candidato já se movimentam em busca de espaço em uma possível administração.
Na área econômica, o ex-presidente demonstra simpatia pelo nome de Adolfo Sachsida, ex-ministro de Minas e Energia, para assumir o Ministério da Fazenda.
Flávio, entretanto, ainda não anunciou quem comandaria a pasta caso seja eleito. O senador tem indicado a intenção de montar uma equipe com perfil técnico e representantes de diferentes grupos políticos.
As definições sobre a composição ministerial permanecem em aberto, enquanto a campanha concentra esforços na reta final da eleição.
Flávio admite receber conselhos do pai, mas evita revelar conteúdo
Apesar das restrições impostas a Jair Bolsonaro, o senador já reconheceu publicamente que recebe orientações do ex-presidente durante os encontros.
Após a primeira visita realizada depois do período de 90 dias sem contato presencial, Flávio afirmou que preferia não divulgar o conteúdo das conversas para evitar possíveis consequências judiciais para o pai.
“É óbvio que ele dá algumas dicas aqui, mas não vou ficar externando, porque pode ser interpretado de forma maldosa e ser revertido contra ele”, declarou na ocasião.
https://www.brasil247.com/brasil/flavio-visita-jair-bolsonaro-pela-ultima-vez-antes-do-segundo-turno/
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