
O Ibovespa opera em forte queda nesta quinta-feira (22), pressionado pelo aumento das tensões internacionais e pelas incertezas sobre o cenário político brasileiro. Por volta das 12h55, o principal índice da Bolsa de Valores brasileira recuava aproximadamente 1,64%, aos 203.112,53 pontos, ampliando as perdas registradas na sessão anterior.
O movimento reflete a redução do apetite por risco dos investidores, diante da proximidade do segundo turno da eleição presidencial e da falta de definições sobre a política fiscal do próximo governo. No exterior, o agravamento do conflito entre Estados Unidos e Irã e a reação negativa a balanços de grandes empresas também contribuem para o desempenho da Bolsa.
Ibovespa amplia perdas e se aproxima dos 203 mil pontos
O índice iniciou o pregão praticamente estável, aos 206.492,22 pontos, próximo do fechamento anterior de 206.495,23 pontos. Após atingir máxima de 206.493,11 pontos, passou a recuar.
Na quarta-feira (21), a Bolsa já havia encerrado as negociações com desvalorização de 0,86%, em meio à repercussão de uma pesquisa Quaest que indicou maior equilíbrio na corrida presidencial. A sequência de baixas ocorre após o Ibovespa ter alcançado níveis elevados nas últimas semanas.
Pesquisas eleitorais aumentam cautela no mercado
A proximidade da votação presidencial de domingo (25) tornou o cenário político um dos principais fatores de atenção dos investidores. Os levantamentos divulgados recentemente mostram uma disputa apertada entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL).
Na pesquisa Indexa/Broadcast, Flávio Bolsonaro aparece com 45,2% das intenções de voto em uma simulação estimulada de segundo turno, enquanto Lula registra 44,1%. Na rodada anterior, o senador tinha 43,6%, ante 42,1% do atual presidente.
Já o levantamento PoderData/Aya aponta Flávio Bolsonaro com 49% das intenções de voto totais, mesmo percentual da pesquisa anterior. Lula, por sua vez, passou de 46% para 48%.
Além da indefinição sobre o resultado eleitoral, o mercado acompanha as propostas econômicas dos candidatos. A ausência de planos fiscais detalhados amplia as dúvidas sobre o controle dos gastos públicos, o equilíbrio das contas do governo e a condução da economia nos próximos anos.
Alta do petróleo e tensões internacionais pressionam ativos
No mercado externo, o agravamento das tensões entre Estados Unidos e Irã provoca uma forte valorização do petróleo. O barril do Brent chegou a US$ 112,68, refletindo o temor de que a instabilidade no Oriente Médio afete a oferta global da commodity.
A disparada dos preços influenciou inicialmente as ações de empresas do setor petrolífero brasileiro. Entretanto, os papéis da Petrobras perderam força ao longo da manhã e passaram a registrar quedas expressivas, acompanhando o movimento negativo do mercado.
Outra commodity que contribui para o ambiente desfavorável é o minério de ferro. Na Bolsa de Dalian, na China, a matéria-prima apresentou recuo de 1,62%, aumentando a pressão sobre o setor de mineração.
As bolsas internacionais também enfrentam dificuldades, com destaque para a reação dos investidores aos resultados trimestrais de grandes companhias norte-americanas. Ações de Tesla, Meta e IBM registram perdas após a divulgação de seus balanços na quarta.
Falta de indicadores americanos amplia influência da geopolítica
A agenda econômica mais restrita dos Estados Unidos também contribui para a instabilidade dos mercados. Sem a divulgação de indicadores de maior relevância e sem novas declarações de autoridades monetárias, os investidores encontram menos referências para orientar suas decisões.
O Federal Reserve (Fed), banco central norte-americano, está no período de silêncio que antecede suas decisões sobre juros. Durante esse intervalo, seus dirigentes evitam manifestações públicas relacionadas à política monetária.
Mercado aguarda arrecadação federal e balanço do Bradesco
Na agenda doméstica, os investidores acompanham a divulgação dos dados de arrecadação federal referentes a setembro. Os números são importantes para avaliar o desempenho das receitas do governo e as perspectivas para as contas públicas.
https://timesbrasil.com.br/brasil/ibovespa-recua-mais-de-164-com-incerteza-eleitoral-e-aversao-ao-risco-no-exterior/
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