
O mercado financeiro ensaiou uma recuperação nesta terça-feira (27), após o tombo histórico provocado pela reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas o Ibovespa não conseguiu sustentar uma reação positiva e fechou em queda de 0,51%, aos 175.710,05 pontos.
O dólar, por sua vez, recuou 0,97%, a R$ 5,3506, devolvendo parte da disparada registrada na véspera, em um movimento de ajuste dos ativos após a forte turbulência eleitoral.
O principal índice da bolsa brasileira oscilou entre a mínima de 175.130,23 pontos e a máxima de 178.526,08 pontos ao longo do pregão. O volume financeiro somou R$ 49,7 bilhões, abaixo dos R$ 88,6 bilhões movimentados na segunda-feira (26), quando o Ibovespa despencou 13,88% e acionou o circuit breaker, mecanismo que interrompe temporariamente as negociações em momentos de quedas acentuadas.
No câmbio, a moeda americana oscilou entre R$ 5,3078 e R$ 5,4126 durante a sessão. A queda ocorreu após o dólar disparar 8,21% na segunda-feira, quando encerrou as negociações a R$ 5,4029, refletindo a forte reação dos investidores ao resultado das eleições presidenciais.
O movimento desta terça-feira foi marcado por ajustes nas posições do mercado, com exportadores aproveitando o câmbio mais elevado para realizar operações e trazer recursos ao país. O Banco Central também realizou a venda de 80 mil contratos de swap cambial, equivalentes a US$ 4 bilhões, em uma operação de rolagem de contratos com vencimento em novembro.
Mercado busca recuperação após choque eleitoral
Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, Felipe Corleta, sócio da Brasil Wealth, afirmou que o mercado financeiro brasileiro ainda tenta encontrar um novo nível de equilíbrio após a forte reação à reeleição de Lula.
Segundo o analista, embora as perdas tenham diminuído em relação à segunda-feira, o cenário continua marcado por elevada volatilidade e incertezas sobre a condução da política econômica nos próximos quatro anos.
Corleta avaliou que o pior momento da reação inicial pode ter passado, mas ressaltou que novas decisões do governo ainda podem provocar oscilações expressivas nos ativos brasileiros.
Na avaliação do especialista, os investidores começam a deixar de lado a reação imediata ao resultado das urnas para concentrar as atenções em questões como a trajetória das contas públicas, as expectativas de inflação e os próximos passos da política monetária.
O analista também destacou que o alívio observado nos juros futuros e a correção do dólar indicam uma tentativa de acomodação dos preços após a forte turbulência da véspera.
Escolha do ministro da Fazenda concentra atenções
A definição de quem comandará o Ministério da Fazenda no próximo mandato de Lula passou a ser uma das principais preocupações do mercado financeiro.
Corleta destacou que o governo precisa apresentar rapidamente um nome capaz de transmitir confiança aos investidores e dar previsibilidade à condução da política econômica.
“O governo precisa correr para trazer um nome que possa acalmar um pouco os ânimos”, afirmou.
Segundo o analista, mais importante do que a escolha de um nome específico será a autonomia concedida ao futuro ministro para conduzir as decisões econômicas, especialmente em relação ao controle de gastos e à política fiscal.
Entre os nomes mencionados nas discussões de mercado estão o vice-presidente Geraldo Alckmin, o ex-ministro Fernando Haddad, Luiz Carlos Trabuco e o economista Mansueto Almeida. Corleta também comentou a possibilidade de indicação do governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles, embora considere improvável que ele deixe o cargo.
Na avaliação do especialista, a escolha de um ministro com credibilidade junto aos investidores e respaldo político do presidente poderia contribuir para reduzir a pressão sobre o dólar e os juros futuros.
Por outro lado, uma indicação interpretada pelo mercado como sinal de menor compromisso com o equilíbrio fiscal poderia provocar novos episódios de volatilidade.
Dólar recua mesmo com fortalecimento da moeda no exterior
Enquanto o dólar perdeu força frente ao real, a moeda americana apresentou valorização no mercado internacional.
O índice DXY, que mede o desempenho do dólar diante de uma cesta de seis moedas fortes, subia 0,36%, aos 102,322 pontos.
O euro recuava 0,37%, a US$ 1,1133, enquanto a libra perdia 0,22%, cotada a US$ 1,3312.
No mercado futuro brasileiro, o contrato de dólar recuava 0,46% às 17h10, negociado a R$ 5,3535.
O comportamento do real, na contramão do fortalecimento da moeda americana no exterior, refletiu principalmente a correção de parte da alta expressiva registrada após as eleições.
A entrada de recursos de exportadores e a reorganização das posições dos investidores contribuíram para o movimento de baixa, embora o câmbio tenha permanecido acima dos níveis observados antes do segundo turno presidencial.
ACERCA DEL CORRESPONSAL
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