
247 – Uma grave colisão entre duas composições de alta velocidade deixou ao menos 68 mortos e 80 feridos no centro da Espanha nesta quarta-feira (28), provocando o bloqueio por tempo indeterminado da ligação ferroviária entre Madri e a região da Andaluzia.
O acidente ocorreu no trecho entre as localidades de Mora e Orgaz, na região de Castilla La Mancha, pouco após as 9h no horário local (5h no horário de Brasília). De acordo com declarações concedidas pela porta-voz do governo regional, Ester Padilla, a contagem de vítimas fatais ainda pode sofrer elevação ao longo do dia, à medida que os trabalhos de resgate avançam.
Investigações preliminares detalhadas por uma fonte ligada às autoridades indicam que o comboio da operadora Iryo, no qual viajavam 147 pessoas, encontrava-se imobilizado nas proximidades de Toledo em razão de uma pane no sistema de sinalização, cumprindo determinação da Adif, estatal responsável pela gestão da malha ferroviária. Na sequência, a estrutura acabou atingida pela composição da operadora Renfe, que transportava 397 passageiros.
O impacto provocou o descarrilamento de diversos vagões. Registros da emissora regional Castilla La Mancha Television revelam o trem da Iryo fora dos trilhos, com partes dianteiras sobre a via e uma extensa área coberta por destroços, painéis destruídos e ferragens retorcidas em um aterro abaixo do nível da linha férrea.
A gravidade do choque foi narrada por passageiros que presenciaram a cena. Miguel, que ocupava o último vagão de um dos trens ao lado de colegas de trabalho, descreveu a força do impacto à rádio COPE: “ouvimos um estrondo enorme, um baque realmente gigantesco que durou 10 segundos, como se o trem estivesse prestes a descarrilar. Pela janela da direita, pudemos ver um trem destruído – imagino que deva ter sido o outro”.
Eduarda, que viajava na composição da Iryo, relatou à rádio Cadena SER o momento em que a colisão aconteceu e a dimensão dos danos observados na sequência. A passageira afirmou ter sentido um forte impacto que a arremessou para a frente, levando-a a acreditar, inicialmente, em uma frenagem brusca do sistema de emergência. O cenário real só ficou claro ao avistar feridos e receber ordem de evacuação: “eu vi pessoas mortas”, disse ela, acrescentando ter visto parte da composição pendurada na encosta e focos de incêndio em um dos vagões após conseguir descer o barranco.
O cenário no local foi classificado como devastador pelos gestores dos municípios vizinhos. Jesús Pérez Martín, prefeito de Los Yébenes, relatou à emissora RTVE o quadro dramático enfrentado pelas equipes de socorro: “eles estão me contando sobre mutilações e ferimentos muito graves”. Diante do fluxo intenso de socorridos, Manuel Galán, prefeito de Urda, informou ter sido acionado pelos serviços de emergência para disponibilizar e estruturar um ginásio poliesportivo municipal para o acolhimento das vítimas.
A tragédia mobilizou as principais lideranças políticas do país e do bloco europeu. O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, teve sua agenda oficial inteiramente cancelada e manifestou-se publicamente: “estou chocado com o grave acidente de trem em Toledo. Meu carinho, solidariedade e apoio a todas as vítimas e suas famílias”. A oposição, por meio do Partido Popular, também suspendeu seus compromissos de campanha, enquanto a ministra da Saúde, Mónica García, apelou publicamente pela doação urgente de sangue.
Durante compromisso oficial próximo a Valência, o Rei Felipe VI prestou condolências às famílias atingidas: “a primeira coisa é lamentar essa tragédia terrível. Transmitir às famílias os nossos pêsames, a nossa tristeza, o nosso apoio, o nosso carinho em um momento tão duro, tão difícil”.
No âmbito internacional, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, declarou que “hoje a Europa chora”, enquanto o presidente da França, Emmanuel Macron, lamentou o ocorrido definindo o fato como um “terrível drama ferroviário”.
O Itamaraty confirmou que acompanha os desdobramentos por meio da rede consular brasileira na Espanha e emitiu uma nota oficial de pesar: “o Brasil manifesta sua solidariedade ao povo e ao governo da Espanha, transmite suas sinceras condolências às famílias das vítimas e deseja pronta recuperação aos feridos. O Governo brasileiro está monitorando a situação por meio dos Consulados–Gerais do Brasil na Espanha, a fim de prestar a assistência consular cabível aos nacionais eventualmente afetados pela colisão dos trens”.
Até o momento, a circulação de trens no trecho que conecta a capital Madri a Ciudad Real e à região da Andaluzia permanece completamente suspensa, e as empresas Renfe e Iryo não emitiram posicionamentos oficiais sobre as circunstâncias da colisão.
https://www.brasil247.com/mundo/tragedia-na-espanha-deixa-dezenas-de-mortos-apos-colisao-ferroviaria/
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