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Depois de uma disputa marcada por bilhões de reais em logística, centros de distribuição e entregas cada vez mais rápidas, os grandes marketplaces começam a buscar novas formas de prender vendedores às suas plataformas. A próxima fronteira pode estar fora do Brasil.
A Shopee vai ampliar para mais de 150 mil vendedores brasileiros um programa que permite anunciar e vender produtos para consumidores da Argentina e do México. A empresa assume etapas como transporte internacional, desembaraço aduaneiro e atendimento ao cliente.
O movimento acontece enquanto a companhia tenta extrair mais vendas de uma base que já reúne mais de 3 milhões de vendedores brasileiros, responsáveis por 95% das transações feitas na plataforma.
Durante um projeto piloto, 19 mil lojistas disponibilizaram mais de 1,4 milhão de produtos nos dois mercados.
«O objetivo é ajudar os vendedores brasileiros a escalar seus negócios e, ao mesmo tempo, levar uma nova variedade de produtos aos mercados da região», diz Felipe Lima, diretor de desenvolvimento de negócios e operações de fulfillment da Shopee.
«Ao conectar os empreendedores locais a esses novos destinos, queremos criar oportunidades de negócios, fortalecer o comércio regional e oferecer aos consumidores da Argentina e do México acesso a um sortimento ainda maior de produtos», afirma.
Como funciona a exportação pela Shopee
A proposta da Shopee é retirar do vendedor parte das etapas que costumam tornar uma exportação mais complexa.
Quando recebe um pedido feito por um consumidor da Argentina ou do México, o lojista brasileiro precisa preparar o produto para coleta. A partir daí, a Shopee coordena a entrega com sua rede de parceiros logísticos.
Isso inclui coleta, transporte internacional e entrega ao consumidor. A companhia também oferece suporte para o desembaraço aduaneiro, processo necessário para a entrada e saída de mercadorias entre países, e para o atendimento ao cliente.
Na prática, a Shopee tenta fazer com que uma venda internacional se pareça, do ponto de vista operacional do pequeno lojista, com uma venda feita dentro da própria plataforma no Brasil.
A adesão não está aberta automaticamente para toda a base. Os vendedores recebem um convite pela Central do Vendedor, ambiente usado pelos lojistas para administrar suas operações na Shopee.
Quem ainda não recebeu o convite pode demonstrar interesse em participar do programa.
A empresa afirma que não haverá custo adicional na plataforma para participar da iniciativa.
Por que Argentina e México
Argentina e México colocam os vendedores brasileiros diante de dois dos principais mercados de comércio eletrônico da América Latina.
Para a Shopee, a estratégia também permite aproveitar uma estrutura regional que já existe sem exigir que cada pequeno vendedor monte sozinho uma operação internacional. Esse costuma ser um dos obstáculos para pequenas e médias empresas que tentam exportar.
«A escolha de Argentina e México para o início do projeto faz parte da nossa estratégia regional, aproveitando mercados onde a Shopee já possui operação, garantindo a melhor experiência tanto para o consumidor como para o vendedor», diz o head.
Além de conquistar clientes em outro país, o vendedor precisa lidar com transporte internacional, documentação, alfândega, regras locais e atendimento após a venda.
A Shopee tenta concentrar essas etapas dentro do próprio marketplace, plataforma que conecta vendedores e compradores.
“Isso torna o comércio internacional mais acessível para negócios em diferentes estágios de maturidade”, afirma Lima.
Disputa dos marketplaces vai além da entrega rápida
A nova frente aparece enquanto a competição entre os grandes marketplaces no Brasil se espalha por diferentes partes da operação.
Nos últimos anos, Mercado Livre, Amazon, Magalu e Shopee direcionaram recursos para centros de distribuição, tecnologia e redes de entrega. O objetivo era colocar os produtos mais perto do consumidor e reduzir o prazo entre o clique e a chegada do pacote.
Em 2026, essa disputa ganhou uma nova rodada.
A Shopee lançou o Turbo, modalidade de entrega em até 4 horas que já reunia mais de 4.000 lojas ativas, principalmente na Grande São Paulo, quando o serviço foi anunciado.
A operação usa a localização do consumidor para mostrar produtos disponíveis em estabelecimentos próximos.
O Mercado Livre, por sua vez, ampliou entregas no mesmo dia, enquanto a Amazon lançou o Amazon Now, serviço de quick commerce, modelo de compras com entregas realizadas em poucos minutos, para produtos essenciais, frescos e congelados.
O Magalu também utiliza parte de sua rede de mais de 1.300 lojas físicas como pontos próximos aos consumidores e trabalha com projetos de entrega em até 1 hora.
A exportação adiciona outra variável à disputa.
Além de tentar conquistar o consumidor por preço, variedade e velocidade, os marketplaces também disputam a preferência de quem vende.
Quanto mais serviços uma plataforma oferece ao lojista, maior a possibilidade de concentrar dentro dela estoque, anúncios e vendas.
A iniciativa agora também se conecta a uma parceria que a Shopee firmou em 2025 com a ApexBrasil, Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos.
O acordo prevê iniciativas de capacitação, conteúdo e suporte técnico para empresas brasileiras interessadas em entrar em mercados internacionais.
A expansão da plataforma para Argentina e México cria um canal concreto para que parte dessas empresas tente transformar esse treinamento em vendas.
ACERCA DEL CORRESPONSAL
JOSé CARLOS FERREIRA
José Carlos Ferreira es corresponsal de Prensa Mercosur en Río de Janeiro, Brasil, con posibilidad de desarrollar su labor periodística en todo el territorio brasileño. Cuenta con experiencia profesional en comunicación y medios, vinculada a WBP Brasil y Rede Globo de Televisão, y posee especial interés en política, noticias regionales, reportajes y entrevistas. Su incorporación fortalece la presencia de Prensa Mercosur en Brasil, aportando experiencia, contenidos y una mirada cercana a la realidad brasileña para informar y conectar al país con la agenda del Mercosur.
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